Dia 8

Dia 8: Conceição do Mato Dentro – Morro do Pilar

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 27/11/2015
Modificado pela última vez em 11/01/2016 às 18:47

O percurso entre Conceição do Mato Dentro a Morro do Pilar contempla um caminho de paisagem rural, com sobes e desces nada críticos. Sempre pela manhã, a realização dos primeiros 15km é sistematicamente tranquilo. Com o sol do meio dia, a performance vespertina cai. Sempre os últimos 5km são a tortura psicológica.

O trecho é ermo, mas há uma beleza cênica interessante. Ao cruzar o Rio Santo Antônio, observo uma parede de pedras em um local desabitado, logo após a ponte. Resolvo explorar melhor o local e verifico ruínas de antiga construção. Não consegui identificar se era um moinho ou um engenho. Foi uma boa surpresa.

A chegada em Morro do Pilar deu-se com uma subida, passando por detrás de uma escola. O barulho da algazarra das crianças me trouxe uma alegria. Dou boa tarde a uma senhora negra no peitoril da janela e ela me sorri dando as boas-vindas à cidade. Paro em uma mercearia para tomar café, comer pão de queijo e isotônico.

Sigo sentido à igreja e vejo a Pousada do Vovô Juca. Chego, adentro e sou apresentado a um quarto de R$45. Tomo banho e ponho-me a lavar roupas. Causei um alvoroço, pois o pessoal teve que improvisar um varal.

Após concluídas as obrigações rotineiras, vou ao mercado, como um pastel “tipo” angu e encontro um local para um café: Café com Arte e Chocolate. Bato uma “mão de prosa” com a Eunice – proprietária – e o José dos Santos. Por coincidência, a mulher é nascida no Gama, DF. Fez uma excelente troca geográfica. Enquanto eu me afogava no café, o José mastigava uma cerveja bem devagar. Contou um pouco sobre os atrativos naturais da região, com muitas cachoeiras, e o agito do carnaval na cidade. Comentou também sobre uma outra característica marcante de Morro do Pilar: a primeira fábrica de ferro do Brasil – a Real Usina de Ferro do Morro do Pilar. Teve início de sua produção em 1809, mas manteve uma produção regular no período compreendido entre 1814 a 1830. Infelizmente, não tive a possibilidade de visitá-la. Porém, tanto essas ruínas como as cachoeiras da região me fazem crer que a cidade merece uma nova visita no futuro.

Fico em dúvida se havia ou não carimbo na cidade. Estava ocorrendo um conflito de informações. O José indicou-me conversar com o Rodrigo, da Secretaria de Turismo para averiguar maiores informações. Paguei o meu café, tirei fotos e fui ao escritório. Obtive a informação de que fora expedido um processo para a solicitação do carimbo com o Instituto Estrada Real. Quem sabe o Caminho dos Diamantes terá uma nova estampa de carimbo!

Volto ao hotel. Como está anoitecendo, deixo a câmera fotográfica no hotel. Saio para procurar um lugar para jantar e encontro o restaurante Terra de Minas. Comida boa, de fogão a lenha, buffet livre a um preço de R$10. O paraíso dos trabalhadores braçais. Vi pratos alheios que pareciam mais uma montanha do que um prato de refeição. Para brutos famintos não há elegância, muito menos sensatez! Na hora de pagar a conta, bato uma prosa com a proprietária do restaurante. Muito simpática e ficou admirada pelo simples feito de caminhar pela Estrada Real. Principalmente pelo percurso que estava fazendo. Também conversei um pouco a respeito do carimbo e a instiguei a correr atrás, pois queira ou não queira, há benefícios indiretos pelo simples fato de forasteiros entrarem no comércio para um carimbo. Sempre haverá um consumo. Acabei presenciando uma cena muito engraçada. Três funcionários da Anglo American entraram no restaurante e um deles, um moreno, perguntou-a por uma farmacêutica que habitava na cidade. Senti uma sutileza e malícia de amantes “no ar”. Porém, como um banho de água fria, a moçoila já não mais habitava a cidade. Deu para sacar que literalmente “o mineiro come quieto”.

Voltei para o hotel, adentrei-me ao quarto e dormi muito bem.

8o dia

Caminho dos Diamantes
08/setembro/2014
28,70 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Minhas refeições

  • Terra Minas Restaurante
  • Café com Arte e Chocolate

Meu pernoite

  • Hospedagem Mãe Luzia
  • Pousada do Vovô Juca

Selfies e pessoas que encontrei

  • Sr. Joaquim e Dona Maria – CMD
  • Acabado
  • Ressuscitado
  • Eunice e José

Galeria no Panoramio


Fotografias