Dia 58

Dia 58: Mato Limpo – Paraty

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 07/12/2015
Modificado pela última vez em 12/04/2016 às 00:24

Acordo cedo, organizo minha mochila, lembro-me do frio nas pernas nas duas noites dormidas no local. Preparo o meu café da manhã e sigo o rumo para o último dia de caminhada.

Grande a expectativa e a alegria em transpor o Parque Nacional da Serra da Bocaina, chegar em Paraty e concluir a viagem. O dia está nublado, mas com boa cara de que não iria chover. Como já tinha efetuado o pagamento, saio sem me despedir das proprietárias. Em poucos minutos, me encontro na rodovia e inicio uma subida. Logo avisto de longe a Cachoeira do Mato Limpo, bem a margem da rodovia. Tiro algumas fotos e sigo o rumo.

Próximo, avisto um hotel muito frequentado por descendentes de japoneses. Poucos minutos a frente chego ao marco da divisa entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Placa informativa sobre o Parque Nacional da Serra da Bocaina. Outras placas de um banco internacional de financiamento, referente à pavimentação da rodovia até Paraty. Ouvi boatos que a obra estava embargada.

São Paulo fica para trás. Descida forte e natureza exuberante. Em poucos minutos de descida, algumas surpresas. Primeiro encontro uma amostra do antigo pavimento “pé de moleque” de algum trecho original da Estrada Real. Logo depois, chego a um belvedere e consigo observar Paraty de longe. Por vários quilômetros percorro por pista pavimentada com blocos de concreto intertravado.

A umidade da mata é muito agradável. Por um bom trecho caminho vestido com a minha capa de chuva. Percebo algumas motos de 125CC e VW Fuscas a descer a serra. Chego a um ponto de término do pavimento e a geometria da via bem densa, no formato de “caracol”. Parada para observar morro abaixo. Vejo pequenino, um veículo que passou por mim, minutos atrás. O conjunto é belíssimo.

Compreensível o fato de muitos acharem o segmento mais belo de toda o caminho da Estrada Real. A estrada torna-se mais estreita, com características mais apropriadas para veículos 4×4. Vejo forasteiros descendo com carros baixos e quase deixando pedaços pelo caminho.

Nas árvores, observo frondosas bromélias. Cada metro caminhado e um olhar mirado ao alto: bromélias. Nunca tinha visto tantas e tão belas em toda minha vida. Infelizmente, poucas as que estavam em flor. Checo o odômetro do receptor GPS e tudo sob controle: boa média de velocidade. Não estou cansado, apesar de ter zelo com o peso nos joelhos.

Fisicamente sinto-me bem, sem mais preocupações com as bolhas nos pés. Extasiado. Sorrindo igual criança. Feliz pela liberdade. Agradecido. Protegido por todos esses 58 dias percorridos.

Chego à Igreja da Penha, edificada sobre uma pedra de arenito. Há um grande totem da Estrada Real. Em frente de ambas, uma lanchonete e anexo uma destilaria de cachaça. Paro e invisto um bom tempo no local. Regado a isotônico, muito café e prosa com a dona e funcionárias. Conversa vai, conversa vem, tenho notícias do meu caminhante corredor italiano. Praticamente o Sr. Alessandro chegou em Paraty em 36 dias caminhados. Eu vivi esse número, mais vinte. E não me arrependo.

Por muita insistência, visito o alambique, provo um martelinho. Acabo comprando uma garrafa pequena. O brinde comemorativo não será com Möet Chandon, mas sim com uma boa cachaça paratiense, acompanhado com peixe ou frutos do mar. Iria cozinhar para comemorar. O povo aprova a escolha do guia, que me levaria a desbravar a Reserva Ecológica da Joatinga. Percebo que no estabelecimento, clientes começam a chegar para o almoço. Tiro foto, dou adeus e sigo em frente.

Em considerável extensão, a via percorre em paralelo um rio, que pela adutora ao lado, deve servir de captação e abastecimento de água para a urbis. Bromélias e mais bromélias. Dentro do rio, belos matacos de arenito. Chego a uma cota mais amena. Tenho alguns quilômetros ainda para sair da cota 100m até o nível do mar. Chego a um bairro periférico  logo após o trevo com a BR-101. Assim, adentro-me a cidade de Paraty. Sinto o agito das pessoas, automóveis, comércio, entre outros.

Numa parte mais turística de consumo, com lojas e butiques, paro em um quiosque para tomar um açaí. Por incrível, a senhora do outro lado do balcão é mineira. Devoro a tigela e levo uma prosa. Sigo para o centro histórico e busco o local para carimbar o passaporte e retirar o meu certificado.

Ao entrar no centro histórico, tenho um delírio. A cidade é muito linda e charmosa. As ruas, os calçamentos, as casas, as igrejas, o charme dos restaurantes, a movimentação de turistas.

Chego então ao representante do Instituto Estrada Real. Carimbo o passaporte, tiro foto com o meu troféu.

A atendente me passa notícias também sobre o caminhante-corredor italiano. Eu sempre na poeira dele.

Sigo feliz a buscar o hostel. Acomodado, de banho tomado, busco os ingredientes para a comemoração noturna: arroz arbóreo italiano, camarão, uma pescada, marisco e lula.

Saiu um belo risoto!

58o dia

Caminho Velho
28/outubro/2014
30,65 km percorridos
Localidades
170-3-paraty Clique para ampliar

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