Dia 56

Dia 56: Cunha – Mato Limpo

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 07/12/2015
Modificado pela última vez em 12/04/2016 às 00:20

Enfim, as fortes emoções não acabaram ainda. Tenho que confessar que o trecho com maiores dificuldades logísticas referente a refeições e a hospedagens ocorreram no Estado de São Paulo. A caminhada de hoje foi a mais tensa. Com a intervenção de algo superior, fui agraciado.

Acordo, arrumo minha mochila, tomo o café da manhã e preparo um lanche extra para a caminhada. O destino hoje, uma comunidade de Cunha, conhecido por Mato Limpo. O local apresenta alguns atrativos interessantes. Para os ébrios, a Cervejas Wolkenburg é fabricada nessas montanhas. Até tomei conhecimento, com o Sr. Chico, da Oktoberfest em Cunha. Ocorria nesse mês, porém restrito a todos os finais de semana. Para os apreciadores da natureza, existe um pico de montanha, chamado Pedra da Macela. No local pode-se avistar a cidade de Paraty e o mar. Esses eram os planos de visita.

Enquanto isso, na Estalagem Primavera, tiro foto com o Cláudio, pego alguns cartões de visita e sigo para a justificativa do meu voto. Dirijo-me a uma sessão eleitoral em um colégio em frente à Igreja do Rosário. No local, sou informado que a justificativa do voto é realizada na Câmara de Vereadores. Ao chegar, percebo a inexistência de urna eletrônica. Preencho o formulário e tenho fortes crenças que a minha justificativa tenha virado voto para algum mau caráter.

Sigo o meu rumo e a cidade aos poucos fica para trás. Adentro-me a uma área rural e montanhosa. Vários VW Fuscas pelo caminho. Cunha é conhecida como a capital paulista do histórico e popular veículo. Muita subida. Chego a uma escola rural comunitária, com algum movimento: eleições. Passo pela Cachoeira do Pimenta e paro para fotos. Percebo ao longo do caminho que a maioria das pousadas ou restaurantes estão fechados. Isto é, negócio de forasteiros não residentes no local.

Tenso. Acabo saindo novamente na rodovia SP-171. Vejo uma placa indicativa: Restaurante do Gentil. Resolvo parar e almoçar. Sorte grande. Um restaurante sofisticado no meio do nada. Uma turma de amigos do dono se fartando de boa comida. Almoço um belo risoto de shitake. De entrada, tortinha de legumes. O tempo fecha, com cara de frio e chuva.

Eu estou totalmente receoso em relação à hospedagem. No Mato Limpo, via pesquisa na internet, descobri que havia uma mulher de nome japonês que oferecia Bed & Breakfast. Porém, não consegui contatá-la e nem outras informações na área urbana de Cunha.

O Sr. Chico me passou também o contato de um produtor de shitake, que tem um restaurante no local e poderia me ajudar com hospedagem.

Comento essas informações para o Gentil. Confirmado por ele e acrescentado que o nome da nipônica é Dona Yoko. A filha é artesã e mora no local também. Como um plano “B”, fiquei com o contato do Gentil para possível necessidade de hospedagem. O problema é que não há rede de telefonia móvel na região!

A sorte grande foi realizar essa refeição. Converso um bocado com os demais clientes, dou adeus e sigo para o quilômetro 65 da SP-171. A rodovia sem nenhum movimento. Passo por um acesso a uma vicinal, aonde há uma lanchonete e comércio de quitutes da roça. Leio “pão com linguiça”. Preciso caminhar aproximadamente mais um quilômetro até chegar ao acesso à comunidade do Mato Limpo.

Antes, peço informações a dois homens, em frente a uma casa na beira da rodovia, sobre hospedagem e comércio. As respostas são negativas. Tenso. Percebo que o tempo fechou e começou a chover forte. Busco abrigo embaixo da cobertura da porteira de uma propriedade. Visto as capas de chuva na mochila e em mim. É um pé d’água.

Caminho mais 100m e encontro o estabelecimento do produtor de shitake indicado pelo Sr. Chico. Converso com o filho, mas recebo uma tensa informação de que o restaurante está fechado. Não percebo muito o querer ajudar um caminhante estranho. Somente a informação de que a próxima propriedade era o da nipônica. Indicou-me procurar um funcionário da senhora, a princípio.

Todo molhado nos pés, “bestemando” pela chuva, chego a Casa da Flor da Macela. Sou atendido por um funcionário bem prestativo. E a sorte grande: não é feriado e muito menos meses de férias. Há a disponibilidade de locação de uma casa. Sou atendido pela Márcia, filha da Dona Yoko. Artesã e muito charmosa. Estava dando banho nos filhos. Apresento-me e explico-lhe quem sou e o que faço. Pergunto-lhe sobre refeições na comunidade. Ela me responde questionando se trazia alimentos comigo. Ambas respostas negativas. Ela, muito solícita, me auxilia, dando-me bananas, café, pão, manteiga e mel. Agradeço e comento que é o suficiente para os dois cafés da manhã que terei no local.

Nesse momento, entendo como o meu almoço foi muito bem-vindo. O funcionário me levou a casa, explica o processo do gás e do lixo reciclável. Após, nos aposentos, tiro as roupas molhadas e penduro-as no varal. Tomo um banho quente.

A pequena casa é totalmente minimalista e charmosa. Basicamente o que eu preciso para habitar e viver. Tiro fotos da arquitetura da mesma. Chuva forte do lado de fora. Curto o final do dia na casa e torço para que o tempo fique bom para o dia seguinte.

56o dia

Caminho Velho
26/outubro/2014
32,24 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

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Caminho dos Diamantes
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Minhas refeições

  • Restaurante do Gentil

Meu pernoite

  • Estalagem Primavera
  • Casa da Flor da Macela

Coisas interessantes que vi


Selfies e pessoas que encontrei

  • Na Estalagem Primavera

Referências Bibliográficas