Dia 54

Dia 54: Cunha

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 06/12/2015
Modificado pela última vez em 12/04/2016 às 00:16

Acordo e um belo café da manhã me aguarda. O Sr. Chico me avisa previamente que teria que mudar de hospedagem, pois ele tinha reservas para o final de semana. Me tranquiliza avisando que possui uma indicação para hospedagem. A situação era tranquila. Pena ter que deixar a companhia desse simpático senhor.

Durante a refeição matinal, converso com outros dois hospedes. Funcionários de uma empresa catarinense de Engenharia Ambiental, sendo um deles paulista do interior, mas com cara de “alemão” do sul. Ele tem mais orgulho de ser “caipirão”, do que esnobar ares de superioridade por ter “olhos azuis, sobrenome alemão e parentes em Blumenau. Fico feliz em conhecer pessoas como ele.

A sugestão do título desse trabalho também partiu numa sutil inspiração dele. Deixo aqui todos os méritos do crédito:

“Caminhando na Real”

Eles se despedem, pois partiriam da cidade. Eu trocaria de hotel. Arrependo-me de não ter pego o contato dos dois.

Sigo então para a outra hospedagem: a Estalagem Primavera. Chego a um portão, toco a campainha, e um adolescente me atende. Me apresento e digo que fui indicado pelo Sr. Chico. O garoto liga para a mãe e tenho a confirmação positiva para a hospedagem. Sou encaminhado para o quarto, no porão da casa. Curto pra caramba. O local do café da manhã tinha decoração característica de ranchos sertanejos. Algumas pinturas nas paredes remetiam a vida do povo, que lida com os animais e viagens tropeiras. Tudo muito simples, bom e com uma identificação ímpar. Além de um bom custo/benefício. Fico pouco tempo no quarto e coloco-me a rodar pela cidade novamente.

Resolvo, nesse dia, cortar a minha barba. Encontro um barbeiro e aparo-a. Infelizmente, fico com uma cara mais civilizada. Dirijo-me ao Fórum da cidade com a intenção de buscar maiores informações de que se na comunidade do Mato Limpo haveria sessão eleitoral para justificativa de voto. Algumas informações desencontradas. Sendo assim, para mitigar o risco de não conseguir exercer minha cidadania – em me abster de colocar quaisquer bufões no executivo e legislativo nacional – resolvo permanecer em Cunha para o ato.

Ao retornar a estalagem, conheço os donos. A mulher era uma chilena de cabelos curtos e o marido, um cabeludo de chapéu de boiadeiro e cara de mau. Só a cara. São eles o Cláudio e a Paola. Quando o vi, pensei:

“Esse é figura! E mantém as raízes”.

Eles têm um outro filho especial. Achei os garotos bem-educados e criados.

O dia se resume a revisar as anotações da viagem, café e cervejas. Passo outra vez para visitar o pessoal da tapiocaria.

Uma imensa alegria me toma a alma. Faltam poucos quilômetros para completar toda a viagem. Também a deslumbrante Serra da Bocaina e o mar. Um tanto quanto ébrio, volto à estalagem.

À noite percebo a chegada de um novo casal no apartamento em frente ao meu. De madrugada, acordo com gritos de prazer. Achei que fossem os donos da casa, mas eram os hóspedes. Viro para o lado e durmo após o casal parar. Inveja!

54o dia

Caminho Velho
24/outubro/2014
0 km percorridos
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Caminho dos Diamantes
Caminho Velho


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Minhas refeições

  • Café & Arte

Meu pernoite

  • Pousada Belvedere
  • Estalagem Primavera

Coisas interessantes que vi

  • Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição
  • Mercado Municipal