Dia 52

Dia 52: Guaratinguetá – Cunha

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 06/12/2015
Modificado pela última vez em 12/04/2016 às 00:13

Tive uma noite mal dormida, em função da tensão do dia de hoje. Principalmente pelas negativas de hospedagem e pela longa distância a ser percorrida.

No café da manhã sou acompanhado dos caminhantes mineiros. Despeço-me e sigo o meu rumo. Em meu caminho e no sentido contrário, pessoas dirigindo-se ao centro para o trabalho. Em pouco tempo, chego a SP-171.

Volto a ligar para a Pousada Seriema e ninguém atende. Chego a ligar para um telefone em São Paulo e converso com a proprietária. Ela me garante que poderia passar por lá que, mesmo lotados, resolveriam o problema. Nessa ligação tive notícias do rastro do italiano.

Ao cruzar uma ponte, percebo um movimento intenso na rodovia e conto os quilômetros para poder sair do asfalto. Pego um desvio do asfalto por uma via não pavimentada e observo uma cena libidinosa: um VW Kombi escolar estacionada na beira da estrada e uma mulher a brincar com o manete de câmbio do motorista. Passo rápido pelo local e desejo um salve, para o amor “a sertaneja”.

Infelizmente, em poucos metros, retorno à rodovia. Alguns quilômetros à frente, encontro uma turma de trabalhadores, com uma retroescavadeira a fazer buracos na entrada de uma via não pavimentada por onde entro. Identifico o local, onde a turma de Peçanha iniciou a caminhada do dia anterior.

Verifico o receptor GPS e contabilizava míseros 10km percorridos. Sigo o rumo e avisto uma pequena e simples hospedagem. Passo por um homem tratando alguns cães e questiono-o sobre hospedagem. Ele não soube me dar resposta. A caminhada se resume em muita subida.

No caminho, muitas chácaras e sítios. A dor do meu pé voltou. Conforme subo, tenho a possibilidade de avistar a mancha urbana de Guaratinguetá no horizonte. Avisto um marco da Estrada Real, informando que estou na Serra da Quebra Cangalha. Subo mais e, numa curva, observo na entrada do portão de uma propriedade, um homem. Faço uma pergunta a ele. Após a conversa iniciada tenho um convite para entrar, tomar uma água e café. Ele fisicamente (estatura, rosto e corte de cabelo) aparentava uma pessoa do Governo de São Paulo, no qual tive relações profissionais. Ele me questiona sobre o meu receptor GPS. Explico-lhe que aparelho, além de receber os sinais dos satélites de posicionamento, também é rádio comunicador de baixa frequência e alcance. Temos uma boa conversa e parto para a comunidade da Rocinha.

Ao chegar à comunidade, resolvo entrar e procuro por um local para lanchar. Acabo por almoçar um prato-feito, por R$8. São 11h45. O relevo é sinuoso, mas a geometria da rodovia ameniza um pouco.

Chego à entrada da Pousada Seriema e da Toca do Peixe. Resolvo não correr o risco de chegar à pousada e não ter vaga. O caminho aumenta consideravelmente, percorrendo pela estrada não pavimentada. Meus pés estão com uma grande dor. Noto que uma grande bolha tinha surgido. Teria a meu favor a geometria da via, mais regular, e ônibus coletivo para um plano de mitigação de risco.

Pela rodovia avisto muitos VW Fuscas. Os últimos 9km foram os piores. O psicológico me torturava nos últimos 5km. Porém, o êxtase ao chegar em Cunha e verificar que percorri a maior extensão de toda a minha epopeia é grande: 51km.

Na cidade, dirijo-me à praça central e descubro o local para o carimbo do passaporte: Doceria da Cidinha. Penúltimo carimbo. No local, obtenho a primeira informação de hospedagem. Porém, dou com os burros n’água. Pousada fechada. Recebo outra dica na doceria. Dessa vez assertiva: Pousada Belvedere, do Sr. Chico.

Com vagas, me hospedo e rastejo pelo quarto. Percebo que a bolha no pé não continha água, mas sangue.

Não saio para jantar.

Meu corpo treme.

52o dia

Caminho Velho
22/outubro/2014
51,15 km percorridos
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