Dia 50

Dia 50: Cachoeira Paulista (rural) – Guaratinguetá

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 05/12/2015
Modificado pela última vez em 12/04/2016 às 00:08

Acordo com o corpo dolorido, recolho as roupas no varal, organizo a mochila e sigo à recepção para tomar o café da manhã. Bato uma prosa com a Dona Rosana, tiro fotos da pousada para publicá-las no Panoramio e auxiliá-la na divulgação do estabelecimento. Nos despedimos e sigo o meu caminho.

Felizmente, caminho por pouco tempo pela rodovia, mas pego uma vicinal com muito movimento de caminhões. Descubro que estou na rota do aterro sanitário de Cachoeira Paulista e de uma pedreira. Após passado isso, tranquilidade. Um dia nublado, sem sinal de chuva e abertura de sol. Passo em frente a uma fazenda de produção de leite de gado. Pela estrutura, bem sistematizada. Logo após chego a uma comunidade, na qual paro em frente à igreja para comer uma laranja.

Observo que o caminho é bem tranquilo, rural e plano, pois segue o vale do Rio Paraíba do Sul. Chego a lembrar-me da Holanda. Até me animo em planejar uma cicloviagem por esses lados de São Paulo. Lembro que alguns trechos da estrada na região de Passa Vinte em Cruzeiro (entre a SP-052 e a Vila Embau) são bem convidativos para tal. Depois dessa parada, chego a uma área industrial de Lorena e passo em frente à Escola de Engenharia de Lorena, da Universidade de São Paulo. No meu caminho, alguns estudantes estão voltando à cidade de bicicleta.

Entro no bairro Ponte Nova e paro em um mercadinho para tomar um isotônico. Observo um pouco o movimento e descubro que também tinha café. Bebo um copo também. Nesse mesmo bairro, passo por algumas indústrias e logo adentro na simpática estrada pavimentada, sem movimento e ao fundo a Serra da Mantiqueira para agraciar minha visão. Depois de algumas subidas e descidas tranquilas, entro numa planície fluvial.

O asfalto pela via. E a ideia ciclística por esse lugar acaba quando o asfalto também. Retorno ao barro. Isso mesmo. Depois de tanto caminhar, foi a primeira vez que sinto fisicamente a presença e as consequências da chuva. Cruzo pelo caminho somente com um ônibus escolar, mas há um veículo bem maior nas redondezas, literalmente sobre a minha cabeça. Uma aeronave da EMBRAER sendo testada. Até as proximidades da Colônia Piaguí esse veículo voava, realizando alguns rasantes.

Nessa comunidade, percebo muita produção de arroz irrigado e histórico de colonização italiana do final de 1800. Chego em Guaratinguetá e acabo descartando a ajuda dos pais da minha ex-professora de Pilates – a Janaína. Estava com pouso garantido, mas fico receoso em “atrapalhar” pessoas que não conheço. Depois, acabo levando uma bronca dela!

Guaratinguetá foi umas das provas que, ao percorrer a Estrada Real, as situações mais tensas e arriscadas estão na área urbana das cidades maiores. “Vida loka”! Felizmente nada me ocorreu, mas extensa foi a travessia urbana.

Paro para tomar um açaí e a simpatia da proprietária está muito longe da “mineiridade”. Coloco-me rumo ao centro. Atravesso o Rio Paraíba do Sul e chego ao centro. Encontro a Casa Frei Galvão e carimbo o meu passaporte. Recebo também um certificado de peregrino emitido pela casa. Consigo uma indicação de hospedagem barata.

Em frente à Igreja de Santo Antônio  de Pádua, encontro o Hotel Frei Galvão. Acredito ser uma boa escolha, mas errei. Proprietário de bom papo, mas acabo tomando banho frio. Com menos importância, a TV não funciona. Também não há café da manhã. Tomo meu banho frio e resolvo permanecer dois dias em Guaratinguetá. Segundo o dono, “o problema do chuveiro será resolvido”. Coloco-me ao city tour pela cidade.

Retorno à Casa Frei Galvão para uma visita mais tranquila: limpo e sem mochila. Pela cidade, acabo conhecendo um grupo de caminhantes de Peçanha (MG) que estão a percorrer a Estrada Real com um suporte logístico de ônibus. Isto é, não se trata de uma caminhada contínua, tal como a minha. Eles a realizam em etapas.

Acabo conhecendo a Sandra Beatriz Brito. Ela ficou muito empolgada com a história da minha caminhada e me apresenta para várias pessoas do grupo. Por ela, descubro que estou muito mal hospedado. Com o mesmo preço de diária, eles estão em um hotel muito melhor.

Decido no dia seguinte mudar para o Hotel Royal. Visito a Igreja de Santo Antônio de Pádua, o Mercado Público e a antiga Estação do Trem (descubro logo onde fica a hospedagem do dia seguinte).

Perambulo um pouco pela área central. Janto em um restaurante no centro, cujos donos têm cara de sulistas.

Volto para o hotel e resolvo visitar Aparecida no dia seguinte.

50o dia

Caminho Velho
20/outubro/2014
36,64 km percorridos
Localidades
151-1-guaratingueta Clique para ampliar

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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho


Trechos relacionados

Meu pernoite

  • Hotel Frei Galvão
  • Hotel Royal

Selfies e pessoas que encontrei

  • Casa Frei Galvão

Galeria no Panoramio


Fotografias