Dia 5

Dia 5: Itapanhoacanga – Santo Antônio do Norte (Tapera) – Córregos

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 27/11/2015
Modificado pela última vez em 05/01/2016 às 17:32

Hoje tenho um grande desafio: saber aonde iria pernoitar. Nos escritos do Instituto Estrada Real há existência de hospedagem em Santo Antônio do Norte, que é muito próximo de onde me encontrava. Senão, há opões também em Conceição do Mato Dentro, que dista demasiadamente longe para uma caminhada de um dia. Assim, teria que descobrir uma hospedagem em Córregos. O Bill me informou que havia sim uma hospedagem em Santo Antônio do Norte, porém, não sabia de mais nenhuma outra informação.

Pois bem, por algum motivo fora do meu controle, demoro para arrumar a minha tralha. Tomo um reforçado café da manhã, acompanhado da melancia que comprei no dia anterior. Tiro foto da pousada para publicá-la no Panoramio e auxiliar futuros viajantes que buscam alguma informação de infraestrutura na comunidade. Fotos com os donos da hospedagem para registrar o momento. Adeus a ambos e sigo o meu rumo.

Parto às 8h, um tanto quanto tarde. Descansado, porém as dores nos pés continuam. Tenho bolhas e os dedos incomodam. Pego uma subida nervosa, mas com uma vista fantástica. Essa é a Serra de São José. O esforço é tão grande que preciso atender a um chamado da natureza.

Na parte alta da serra, encontro-me deslumbrado e bestificado. A beleza cênica, somente andando pela estrada e sem explorar aos arredores, é grandiosa. Os mineiros que me perdoem. Eles estão muito acostumados com esse tipo de beleza natural. E todos os que fazem a Estrada Real dizem que o trecho mais belo é o do Parque Nacional da Serra da Bocaina, na descida para Paraty, no Rio de Janeiro. Eu elegi esse lugar como o trecho mais belo de toda a extensão entre Diamantina e Paraty.

A beleza natural é ímpar e tive a sorte de transpor a serra em um dia nublado. Paro para fazer um lanche em um cruzamento viário e, de cara, consigo curtir um pouco as formações rochosas e o silêncio da bela montanha ao meu lado.

Sigo o rumo até avistar Santo Antônio do Norte, também conhecida como Tapera. Não sei o porquê dos dois nomes. Creio que Tapera é mais antigo. Ou será que acham que o nome é pejorativo? Vale a pena pesquisar. Sinto-me pequeno ao avistar a cidade do alto. O local é bem alto, por sinal. Para percorrer o caminho, só a pé, bike, cavalo, moto ou 4×4. Carro pequeno nem pensar. Em frente, sigo o caminho morro abaixo, em uma íngreme e extensa descida, ótima para mountain bike. A pé consigo curtir e sentir a beleza da mata fechada ao longo do caminho.

Chegando em Tapera, saio diretamente na Igreja de Santo Antônio da comunidade. A rua principal possui um acervo de casas coloniais muito interessantes. Saco a máquina fotográfica e tiro fotos. Encontrei a Pousada Simião, onde é possível carimbar o passaporte. Resolvo fazer algo fora da minha rotina nesses dias de caminhada: almoçar. São 13h30. Comida de fogão a lenha é o que há! Arroz, feijão, macarrão, frango e alface. Uma delícia.

Após o almoço, gasto um tempo ainda na vendinha na entrada da pousada. Compro água, como um doce de sobremesa e deslumbro um pouco aquele comércio de lugarejo pequeno, nos moldes das casas antigas de “secos e molhados”. Despeço-me do povo, tiro ainda algumas fotos da parte urbana e guardo a máquina na mochila.

Sigo o rumo para Córregos. O ambiente rural veio à tona com os morros desmatados, substituídos por pastagens. A topografia fica mais amena e a caminhada rende. O receio em encontrar hospedagem é grande.

Passo por uma área de camping e cruzo uma ponte. Na pior das hipóteses já tenho onde dormir. Menos de um quilômetro, adentro-me em Córregos e de cara, à minha esquerda, há uma casa antiga e em anexo um paiol com estrebaria. Há moças caminhando na rua e sou alvejado pelo olhar de uma delas. Também avisto homens trabalhando no calçamento.

Caminho mais um pouco até encontrar um mercadinho e a Pousada Boa Esperança. O dono de ambos é o Tony. Excelente acomodação. Tudo novinho e o preço a R$60. Pego o quarto, tomo banho e tiro fotos para encaminhar ao Marconi. O único problema da pousada é que não há lavanderia ou tanque para roupas anexo ao estabelecimento. O dever doméstico ficará para o dia seguinte. Somente lavei os Ecoheads durante o banho e coloquei-os para secar ao ventilador.

Pego a máquina fotográfica e saio a desbravar o local, perambulando aleatoriamente. Várias casas antigas, todas do período colonial. Somente uma pequena casa, cujos traços arquitetônicos indicam ser de 1950 a 1960.

Um forasteiro, com uma máquina fotográfica a mão, tirando fotos, causava curiosidade do povo local. Alguns me perguntaram se estava a trabalho. Respondia:

“Passeio. Vadiagem!”

Na rua principal, após a Igreja de Nossa Senhora de Aparecida, reparo em duas senhoras à janela de uma casa colonial. Conforme subo a rua, percebo que elas me fitam, cochicham e confabulam hipóteses. Ao chegar próximo delas, cumprimento-as e dirijo a palavra a elas. Assim que a tensão do desconhecido passou, elas demonstraram-se muito simpáticas. Tenho uma boa conversa com elas.

Ao visitante de Córregos, distrito de Conceição do Mato Dentro, algo chama a atenção, além da arquitetura colonial do local. Há uma aberração na comunidade, que é uma casa. Infelizmente uma casa bizarra, destoa de todo o contexto arquitetônico e histórico. A casa apresenta a base colonial, mas o proprietário expandiu-a, construindo um andar superior de madeira, em moldes de casas de far west da “gringolândia”. E para acabar, lá fizeram uma pousada.

Uma das senhoras da janela comenta comigo:

“Essa casa foi comprada por gente de fora. Acho que do sul. Só que por ser uma comunidade histórica, estão querendo demolir. A pousada fechou.”

Tomara mesmo de destruam a porcaria que construíram sobre a parte antiga.

A noite da sexta-feira cai. Resolvo buscar algo para comer. Há um “botecão” em frente à pousada. E ao lado uma pequena lanchonete anexa à casa dos proprietários, onde servem alguns quitutes da culinária rural mineira. Escolho esse local como opção para jantar. A comidinha do cardápio escolhida é caldinho de mandioca e uma cerveja.

Despeço-me da ótima sexta-feira.

5o dia

Caminho dos Diamantes
05/setembro/2014
26,55 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Minhas refeições

  • Bar e Mercearia do Totó
  • Lanchonete ao lado da Pousada Boa Esperança

Meu pernoite

  • Pousada do Bill
  • Pousada Simião
  • Pousada Boa Esperança

Coisas interessantes que vi


Selfies e pessoas que encontrei

  • Pousada do Bill
  • Subindo a Serra de São José

Galeria no Panoramio


Fotografias