Dia 44

Dia 44: Caxambu – São Lourenço

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 03/12/2015
Modificado pela última vez em 11/04/2016 às 23:57

Rotina básica matinal e sigo meu rumo para São Lourenço. Ainda em Caxambu, passo pela Rua Doutor Viote e avisto hotéis. Logo chego pela antiga estação ferroviária. Após isso, posso dizer que o caminho pode ser batizado: “o Caminho do Lixo”. Muito lixo descartado à margem da estrada. Até carniças de animais. Para auxiliar nesse árduo contexto, o sol já imprimia sua força sobre minha cabeça.

É interessante a mudança da topografia e geologia. O caminho agora é mais plano. As vias não pavimentadas, que antes praticamente eram arenosas-siltosas, agora têm a presença de cascalho, mais desconfortável para os pés. Por isso, aderi nessa caminhada a um par de botas com cano alto, para auxiliar na estabilização dos tornozelos.

Aproximo-me de um hotel fazenda, próximo a BR-383. No restaurante, tomo dois copos de suco de laranja e três garrafas de água. E essa hidratação foi um assalto: R$19. Pago a conta e sigo o meu rumo. Acabo pegando uma forte subida, agraciado com o sol do meio-dia.

Minha chegada à cidade de São Lourenço acaba convergindo para a Estação Ferroviária e uma praça bem arborizada. Em frente, uma padaria, na qual compro um isotônico. A hidratação, muito necessária. Sento-me em um banco da praça e fico a observar o movimento. Resolvo almoçar uma barra de proteína. No local, havia uma parada de charretes para uso turístico. Observo um cavalo com comportamento de stress. Freneticamente lambia as patas dianteiras e mostrava os dentes. Lembro-me da chocante narrativa da agressão da égua pelos bêbados em Crime e Castigo. Tenho reflexões negativas sobre o ser humano. Para livrar-me do pensamento, resolvo fazer uma visita turística a estação em minha frente.

Fotos tiradas dos velhos vapores e detalhes do “trem não tem mais”. Busco o local para carimbar mais uma cidade em meu passaporte. O carimbo é efetuado no Centro de Informações Turísticas, na Av. Comendador Costa, bem ao lado do lago do Parque das Águas. Encontro-o, carimbo-o e coloco-me a realizar um pequeno city tour.

Meu plano era seguir a indicação do Marconi em hospedar-me no Recanto dos Carvalhos. Apresenta uma infraestrutura de camping, chalés, hostel e receptivo para treilers e motorhomes. Ligo para verificar a disponibilidade de vagas e recebo uma péssima notícia. Eles não servem refeições a noite. Teria que levar comida para cozinhar por lá. O local também estava a uns 9km da cidade, o que inviabilizaria uma ida e volta.

Assim, resolvo buscar algum lugar para ficar na cidade mesmo. Numa curta busca, encontro a Pousada Terra das Águas. O lugar tem um bom custo/benefício. Faço meu check-in e consigo lavar minhas roupas. Coloco-me à rua para explorar melhor então a cidade. É o mesmo padrão de Caxambu, porém maior.

Não fiquei muito atraído pela cidade. A hospitalidade e as prosas da histórica Gerais perderam-se um pouco nessas águas. Trupes de corpos calejados pelo mau trato do tempo e do estilo de vida vêm a essas águas buscar curas milagrosas para os equívocos. Percebo mais um querer ser mais carioca a mineiro. Mais fácil encontrar pessoas usando camisas do Flamengo a do Cruzeiro ou Atlético Mineiro. Mais sotaques chiados do que o belo “uai sô”.

Perambulo pela cidade e tiro várias fotos. Não me encontro e não me sinto nela. Volto para a pousada após parar para jantar em um restaurante próximo ao hotel. Durmo bem.

44o dia

Caminho Velho
14/outubro/2014
29,69 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Meu pernoite

  • Apart Hotel São José
  • Pousada Terra das Águas
  • Recanto dos Carvalhos

Selfies e pessoas que encontrei

  • A meta!

Referências Bibliográficas

  • Dostoiévski, Fiódor (1866). Crime e Castigo.

Galeria no Panoramio