Dia 42

Dia 42: Estação Traituba – Fazenda Traituba – Cruzília

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 02/12/2015
Modificado pela última vez em 04/01/2016 às 20:24

Domingo. Tomo meu café com leite e bolo. Arrumo as tralhas, foto com todos. Adeus e obrigado!

O relógio mostrava 6h10 quando sigo o rumo para Cruzília. A manhã estava cinzenta, devido à queimada na Serra do Papagaio. Na primeira hora de caminhada, passei pela Fazenda Traituba, com data de origem entre 1826 e 1831. Tiro fotos com muita atenção. O parceiro de expedições que conheci em Bichinhos comentou que, certa vez, com um grupo de jipeiros de Belo Horizonte, quase foi recebido à bala na Fazenda Traituba , pelos “capatazes” da nova trupe de proprietários.

Essa fazenda tem história, pois há informações que o Dom Pedro I teria passado por lá. Outros dizem que ela levou o calote imperial e o mesmo preferiu abdicar do trono tupiniquim. Agora, há fortes indícios que os novos proprietários estejam fortemente ligados a trupe populista que governa o Brasil nessa última década. Uma coisa é certa: o MST nunca invadirá essa fazenda.

Sigo o rumo e chego a um cruzamento no qual o viajante tem que tomar muita atenção. A placa de trânsito informa “Cruzília em frente”. O caminho das planilhas e tracklog indicam uma conversão à esquerda. Não há erro. O caminho é mais extenso, porém, o propósito é passar em frente a outra pérola histórica: Fazenda Favacho, século XVIII.

Ambas fazendas tem um histórico de criação de cavalos Mangalarga Marchador. Como a distância a ser percorrida era longa, resolvo não visitar a Fazenda Favacho. O relevo é agradável. A visão é formada por áreas de cultivo agrícola, raras residências e nenhum trânsito de veículos. Conforme o tempo passava, o sol tornava-se mais forte.

Colho limões em um pé próximo a uma “mangueira” para gado. Tomo o suco de um limão para cortar um pouco a sede. Inicio a descida de um vale, sendo esses os últimos 16km.

Paro em uma grande fazenda produtora de leite para pedir água. Conheci o Sr. Pedro e a família. Eles se espantaram com o itinerário da minha viagem. Pelo que percebi, a família trabalha na fazenda. Uma pequena horta e galinha para ovos e carne fazem parte dos arredores da casa. Tomo muita água no local e encho as minhas garrafinhas. Agradeço e sigo o caminho.

Fico impaciente até a BR-354.

Ao chegar em Cruzília, paro em uma vendinha de queijos e lanches. Nada mais nada menos que a loja dos Queijos Cruzília. Com sede, tomo três latas “Del suco artificial” e como dois pastéis assados de frango. Fico a namorar as peças de queijo e reparo o entra e sai de pessoas a comprar queijos e outros quitutes. Compro dois pedaços de queijo especial e tomo um expresso. Pego informação sobre hospedagem e indicam o Hotel Real, com boa relação custo/benefício.

Faço o check-in, consigo de modo “clandestino” – com a atendente – o tanque da lavanderia emprestado para poder lavar minhas roupas.

Estou extremamente extasiado e feliz pelo fato de ter transposto o trecho mais complicado em toda essa viagem. Nada de ruim e de errado ocorreram. Não precisei apelar para carona ou transporte coletivo.

Roupas lavadas e banho tomado. Pergunto uma indicação para jantar. E próximo do hotel tem uma boa opção de “prato-feito”. Não tenho fôlego para um city tour.

Retorno ao hotel e vou descansar.

42o dia

Caminho Velho
12/outubro/2014
41,79 km percorridos
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Referências Bibliográficas


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