Dia 40

Dia 40: Carrancas

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 02/12/2015
Modificado pela última vez em 11/04/2016 às 23:21

Acordo com uma preguiça. Recolho as roupas no varal, todas secas. Tomo meu café da manhã e para enfatizar minha preguiça, retorno para a cama e fico à toa na internet. A “leseira” me consome até às 9h. Resolvo, assim, visitar algumas cachoeiras. Questiono o dono da pousada e Sarah, que indicam duas quedas, mais próximas à cidade: a Cachoeira do Moinho e o Poço do Coração . Desenharam um mapa explicativo, não tendo a chance de perder-se.

Sigo pela rodovia para Itutinga, até passar por uma ponte. Viro à direita, em um estradão de chão. Um fusquinha passa por mim e sigo em frente, sem converter à esquerda e subir. Cruzo o rio novamente e avisto uma casa e bar no qual estão indicados os pontos para início da trilha. Sigo pelo caminho em uma área de cerrado de altitude, paralelamente ao rio. Avisto a entrada para um pequeno lugar para banho, mas deixo para a volta. Acabo saindo então na Cachoeira do Moinho.

Avisto em uma laje a montante de um afluente da queda e um grupo de mulheres. Sigo para o poço e felizmente tinha água. Com a estiagem, havia uma grande possibilidade de não ter água nas quedas. É uma pequena queda, com a beleza singela do cerrado. Ótimo para tomar banho, mas contemplativo fiquei. Preguiça em molhar-me. Duas mulheres do grupo vieram para banhar-se. Converso com uma, que largou a Paulicéia Desvairada pela tranquilidade e paz das terras altas de Minas Gerais. Ela me questiona para entrar na água. Digo que deixarei para uma próxima. Quando me preparo para sair, dois homens – pai e filho – chegam.

Pego meu rumo, pois está começando a ter muita gente para o meu gosto. Sigo o mesmo caminho e entro um pouco no ponto identificado anteriormente só para tirar fotos. Volto para o asfalto e sigo em frente até chegar ao acesso de um bar/restaurante. Continuo em frente e identifico o caminho paralelo ao córrego. Primeiramente, avisto uma grande laje com pouquíssima água transpondo-a. Tenho que passar por uma cerca de arame farpado. Enrosco a calça e acabo rasgando-a. A bainha de ambas as pernas estavam se destruindo também devido o atrito com a bota. Estou ficando nu, concluo eu.

Adentro ao cerrado e vejo indicações do caminho. Observo uma “ponte natural” em pedra, esculpida pelo próprio atrito da água na laje. Posteriormente, no mundo virtual, me perguntaram o porquê do nome Poço do Coração. O que observei é que o pequeno poço tem o formato. Aproveito o momento com a natureza, aprecio-a e tiro fotos.

Tomo o meu rumo de volta e descubro que, devido à pouca água no regato, nem precisaria ter pulado a cerca de arame farpado. Enfim. Terei que buscar uma costureira na cidade para fazer remendos. Ao chegar à urbis, constato que o circuito totalizou uma caminhada de 11,5km. Na casa de sucos do Ângelo, tomo um açaí 500mL, com banana e granola, de almoço. Questiono o amigo sobre uma indicação de costureira.

Retorno ao hotel, tomo banho e visto roupas extras. Estava usando uma bermuda que, com a caminhada, ficou grande para mim. Sempre me irritava, pois ela caia. Tive que fazer uma gambiarra, grampeado a cintura da bermuda. Hoje quem a usa é meu pai. Saio à procura da costureira, mas pela indicação do Ângelo entro num salão de beleza feminino. Elas indicam a Dona Mariana, diferente da indicação do amigo da casa de sucos. A senhora estava meio desconfiada comigo. Explico a situação e a guarda baixou. O trabalho ficaria pronto pelas 19h.

Novamente no hotel, lavo as roupas usadas no dia. Após, fui à busca da solução do meu problema logístico para o dia seguinte. Dirijo-me à Pousada Carrancas para reforçar a minha ida e verificar se o Sr. Roberto tinha alguma confirmação perante ela. Tudo resolvido. Um grande alívio e, do ponto de vista logístico, a maior preocupação de toda a extensão percorrida entre o Caminho dos Diamantes e o Caminho Velho estava sanada.

Novamente no Ângelo. Figura ele: morou numa fazenda no Pará. Tem boas histórias para contar. E por falar em história, essa última ida à casa de sucos foi muito divertida. A certa altura, surge um cliente da casa. Um senhor, que não me recordo o nome. Ele é sírio de descendência. Rimos muito com uma história que ele contou, referente a uma viagem que fez com um amigo para Ciudad del Este (PY), para fazer compras. O amigo dele na direção acabou passando em alta velocidade por uma blitz policial. Isso ocasionou em toda a rota da viagem, possivelmente até chegar no Estado de São Paulo, paradas obrigatórias em outros postos policiais.

Na primeira parada, houve um clima de tensão do motorista, que fez com que os policiais vistoriassem até a “alma” do automóvel. O que chamou o “olho gordo” de vários policiais foi um overcraft de controle remoto que o narrador comprou para o filho. O brinquedo, por si só, ultrapassa a cota de compras. E o hilário, era a luta do convencimento para com os oficiais para permanecer com o brinquedo. Primeira blitz, segunda blitz, terceira e na quarta havia um “saco cheio” de contar a mesma história. Até que comentou com o policial se quisesse ficar com o brinquedo, que o levasse. Porém, o prejuízo seria ressarcido pelo amigo motorista. O guarda não entendeu nada e liberou os dois, podendo ficar com o brinquedo eletrônico.

19h. Adeus para o Ângelo, tiro fotos e vou buscar a minha calça. Bons os remendos na perna e nas bainhas. Retorno à pousada e há agitação proveniente de um grupo de 4×4 da cidade de Juiz de Fora.

O local fica barulhento até às 23h30. Mosquitos a infernizar, insônia e conversa com uma amiga de Brasília.

Consigo dormir pelas 00h40.

40o dia

Caminho Velho
10/outubro/2014
11,47 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho


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Minhas refeições

  • Açaí Estação Tropical – do Ângelo

Meu pernoite

  • Pousada Carrancas
  • Pousada Roda Viva

Coisas interessantes que vi


Selfies e pessoas que encontrei