Dia 37

Dia 37: São João del Rei – Rio das Mortes – São Sebastião da Vitória

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 02/12/2015
Modificado pela última vez em 11/04/2016 às 23:08

Acordo e luto com a inércia para sair da cama. Tomo o café da manhã e reinicio os trabalhos. Agora acabou a moleza.

Sigo no contrafluxo das pessoas indo ao trabalho. Mesmo na área urbana, entre as construções, tenho a vista da serra. A visão melhora quando o adensamento urbano diminui. Mudo do asfalto para uma pequena trilha. Subida. Olho para trás e o urbano distancia-se, mais e mais. A trilha virou estradão batido. Cruzo por um colchete e logo após uns açudes.

Chego a um local com uma pequena capela erguida. Verifico a placa, que informa ser o local de nascimento da beata Nhá Chica . Ouço barulhos juvenis e em poucos minutos me dou conta que era uma trupe escolar em um dia de campo. Certo momento, gritos de uma adolescente, comentando que o imbecil de um dos colegas apedrejou um ninho de vespas.

Sigo meu caminho sem problemas. Nas proximidades há uma planta fabril na qual não identifico a manufatura produzida. Meu caminho, na tela do receptor GPS, orienta-me virar à direita e tenho que transpor sem necessidade um riacho raso com os pés descalços. Logo a frente, encontro novamente a via principal com a trupe escolar. Acabo adentrando na localidade de Rio das Mortes.

Pouco movimento nas ruas e resolvo parar na praça central para um lanche. Nisso, um senhor de cabelos e cavanhaque brancos veio ao meu encontro e puxou assunto. Infelizmente não memorizei e nem anotei o nome. Muito simpático, contou um pouco da história do local, dos locais de nascimento e batismo da Nhá Chica. De como antigamente as casas tinham horta e até mesmo alguns animais de criação. Foi uma ótima surpresa conversar com ele. Tínhamos também a presença de um morador ilustre da praça: um simpático tucano em seu ninho sobre nossas cabeças.

Quando fui me despedir do anfitrião, sou convidado por ele para visitar a Igreja de Santo Antônio de Pádua. Aceitei na hora. Ele pega a chave da igreja com outro morador e me explica da peculiaridade dessa igreja. Há uma pintura do “Satanás tentando Santo Antônio”, cujos pés do “gramunhão” são humanos, ao contrário de como geralmente é representado, por pés com cascos bipartidos de bode. Segundo o anfitrião, essa imagem é uma das únicas no Brasil. Achei interessante, mas não tenho maiores informações da veracidade dessa informação.

Saio surpreso e agradecido em conhecer mais uma peculiaridade da história dessas Gerais. Além disso, ele me convida para repor uma água e tomar um café. Agradeço a receptividade. Ele reforça um convite de retorno.

Sigo o caminho, nutrido fisicamente e de boas energias. Passo por mais algumas manchas urbanas e chego a um local chamado Goiabeiras. Após, subida, subida e subida. Placas anunciam horários de detonação em uma lavra próxima. O ambiente fica totalmente rural. Tão rural, que o caminho passa rente a uma estrebaria de uma fazenda. Após sair da sede da propriedade, uma subida e uma gleba de eucaliptos como companhia. Chego à porteira da fazenda, onde há uma simples capela, somente com um altar improvisado, com várias santidades e pequenas toras como assento aos devotos.

Antes de chegar a BR-265, passo por pequeno ferro-velho oficina. Desloco pelo asfalto e avisto o distrito de São Sebastião da Vitória. Na beira da rodovia vejo placas avisando da existência de uma hospedagem. Chego em frente a Pousada Nova Vitória e toco a campainha, porém ninguém atende. Ligo para os telefones contidos na placa e nada. Sigo para a parte central da comunidade. Busco informações com duas pessoas que estavam a conversar nas proximidades da pousada. Informaram-me que o local abre a partir das 18h e explicaram-me onde a proprietária morava. Mas minha desatenção fez-me perder a informação.

Não estava preocupado, pois tinha a informação de que estava funcionando. Local para dormir devidamente identificado. Resolvo buscar algum lugar para passar o tempo. Encontro o Bar e Lanchonete K’Britos. Faço um lanche, realizo anotações e verifico as planilhas da viagem. Resolvo novamente ligar para o pessoal da pousada e dessa vez atenderam. Encontrei as proprietárias no caminho. Acerto a diária, tomo um banho e lavo roupas.

Não há muito o que fazer no local. Janto às 18h30, retorno a pousada e durmo muito bem.

Obviamente tive uma prosa com as proprietárias da pousada sobre minha caminhada. Desejaram-me boa sorte.

37o dia

Caminho Velho
07/outubro/2014
27,31 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Minhas refeições

  • Bar e Lanchonete K’Britos

Meu pernoite

  • Pousada Nova Vitória

Coisas interessantes que vi

  • Igreja de Santo Antônio de Pádua – Rio das Mortes

Selfies e pessoas que encontrei

  • Receptividade em Rio das Mortes
  • Na Pousada Nova Vitória

Galeria no Panoramio


Fotografias