Dia 33

Dia 33: Prados – Bichinhos

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 01/12/2015
Modificado pela última vez em 11/04/2016 às 22:58

Desperto cedo, pego minhas tralhas e caio fora rapidamente. A dona perguntou se eu queria café e disse que iria sem. Fiquei muito receoso e a mulher deve ter achando esse meu comportamento muito estranho. Segui reto para a padaria. Um bom café da manhã.

A distância não seria muito longa, assim só levei água para beber. Devido à falta de ter como lavar a roupa, nessa caminhada não uso o Ecohead para proteger-me da poeira e do sol. Para o meu azar, considerável movimento de veículos e caminhões pela estrada de chão. Por consequência poeira na cara! O caminho para Bichinhos é simpático, de beleza rural.

Chego ao distrito e achei-o charmoso. O complexo arquitetônico é menos denso, contudo a Igreja de Nossa Senhora da Penha é atrativa. Na chegada no distrito, por volta de umas 10h a 10h30, vejo duas cenas muito engraçadas: a primeira foi um homem negro, de no máximo 40 anos, fisicamente saudável completamente bêbado vindo em minha direção. Alterado, estava a conversar e a brigar com espíritos encarnados e desencarnados. Ao fazer uma leve curva na rua principal, vejo a segunda cena “engraçada”: uma casa antiga sendo reformada, com um senhor de cabelos brancos, uns 70 anos, com uma pá carregando areia em um carrinho de mão. Ri sarcasticamente de tudo isso, para não vomitar minha ira. Brasil, um país…

Encontro hospedagem na Pousada Vovó Cota. Pelo que saquei, são duas irmãs que administram o negócio. Consegui um tanque e um varal para os afazeres domésticos. Com algum tempo disponível pela manhã antes do almoço, resolvo perambular pelo lugarejo para conhecê-lo e “metralhá-lo” com minha máquina fotográfica.

O forte do local é o artesanato. Muitas, muitas lojas espalhadas. Tenho a indicação para almoçar no Restaurante Tempero da Ângela, famoso pela culinária mineira. Comida de fogão a lenha e come-se à vontade. Uma orgia gastronômica. Quem lê o meu texto deverá achar que tenho muito mais interesse gastronômico do que pela caminhada em si. Uma é consequência da outra.

Sol forte, subidas fortes, muita poeira e dores nos pés me foram companhias de Diamantina a Paraty. É melhor suprir o leitor com as experiências boas e os sentimentos fortes vividos do que algo que qualquer caminhante encontrará em qualquer viagem. Voltando a Bichinhos, após o almoço retorno ao hotel e por milagre, durmo até às 14h30.

A pousada é muito bem organizada, limpa e bonitinha. Os quartos são na parte superior, contendo uma cozinha. Uma sala com TV e revistas. Para que assistir TV quando a rua e as pessoas reais são mais interessantes?

Volto a caminhar pela cidade e descubro um lado com belas casas novas, imitando o traço colonial em detalhes, como telhados e aberturas. Não há cafés disponíveis e muitos estabelecimentos comercias devem abrir somente nos finais de semana, quando há maior fluxo de turistas.

Ao acabar o dia, resolvo entrar num boteco, visivelmente mais frequentado por moradores locais. Como um salgado e tomo uma pinga branca. No início da noite, sentado no cruzeiro em frente à igreja, vejo uma Ford Rural com um motor barulhento e rodas padrão quase big foot. Admirei-o e imaginei-me andando pelas Minas Gerais. Quando noto, do carro saem três senhoras e o veículo entra na pousada onde estou hospedado. Esses são os meus colegas de hospedagem. Acabo me apresentando. O dono do carro estava prestando o serviço de guia na Estrada Real para essas três amigas de Brasília. O dono do veículo é aficionado por 4×4 e outros veículos. Explicou que esse modelo era muito utilizado como veículo de Bombeiros ou Ambulância, tendo um entre-eixos mais extenso. O motor era de Dodge e nada econômico. Admirável o brinquedo.

Saímos para jantar em um pequeno e simples restaurante de uma senhora, cuja a especialidade são caldos. Tomei um caldo de mandioca com carne muito bom. Ficamos a conversar um bom tempo.

Retornamos a pousada, boa noite a todos e pus-me a dormir.

Ouço no meu quarto o ronco de uma das donzelas. Está uma noite fria aqui…

33o dia

Caminho Velho
03/outubro/2014
12,30 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Minhas refeições

  • Restaurante Tempero da Ângela

Meu pernoite

  • Pousada Vovó Cota

Coisas interessantes que vi

  • Livros do Flávio Leão
  • Museu do Automóvel da Estrada Real

Selfies e pessoas que encontrei

  • Moças de Brasília (1)
  • Moças de Brasília (2)
  • Moças de Brasília (3)

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Fotografias