Dia 32

Dia 32: Lagoa Dourada – Prados

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 01/12/2015
Modificado pela última vez em 11/04/2016 às 22:53

Acordo cedo. Recolho as roupas no varal e as meias ainda úmidas. Arrumo alguns itens da mochila enquanto assisto o telejornal. Dirijo-me ao térreo para o café da manhã. Dona Ilda está a trabalhar como um camelo, arrumando a mesa.

Mamão, pão com mortadela, broa de fubá, rosca de polvilho e biscoito de pinga! Isso mesmo. E extremamente saboroso, o obviamente não alcoólico. Abasteço meus cantis com água e monto um sanduiche extra.

Às 7h30 me despeço de Dona Ilda com uma forte empatia e muito carinho por essa senhora. Sinto no olhar um pedido, mas não sei qual. Tiro uma foto para registrar o momento. Todo o contexto vivido nessas poucas horas nessa pousada me deixou o peito em dor.

Durante a caminhada desse dia, chorei várias vezes. Menor que essa dor psicológica estava o meu dedinho do pé esquerdo. Não fiquei bem com a situação. Também o dia não rendeu. Não estava cansado, mas sim com uma enorme preguiça. Deslocava-me pela trilha de modo pesado e na mente vinha a imagem vivida no dia anterior.

Arrastando-me nessa preguiça, chego ao Restaurante do Grotão. Preguiçoso, não quis almoçar. Somente tomei quatro copos de suco de acerola. Muita conversa com a atendente e uma cozinheira. Ela conta de uma garota que viajava só, de bicicleta. Ela teve alguns problemas mecânicos ou de fadiga e conseguiu um socorro no restaurante.

O questionamento das mulheres relacionava-se a segurança. Sinceramente não há que temer de animais. O único temor está relacionado ao próprio ser humano. Os únicos lugares mais tensos sempre foram nas maiores cidades e as áreas de mineração. O pessoal do campo e do interior são tranquilos, obviamente, quando respeitados.

Parto do restaurante às 14h30 com um pouco mais de ânimo. Assim chego em Prados. O plano era seguir até Bichinhos, mas ao ver o artesanato e a arquitetura da cidade, resolvo ficar para pernoitar e explorá-la melhor. Na rua converso com uma simpática mineirinha ruiva, que me diz onde há hospedagem. Teria que voltar no caminho, até Pinheiro Chagas, onde observei muitas lojas de artesanato. Fora de cogitação, pois tinha uma bela subida nessa volta.

“Tem outro mais no centro, no qual passo todo dia em frente. Somente não sei se funciona como hotel ainda.”

Caminho junto a ela, até que ela me aponta e diz:

“É esse aqui!”

Nos despedimos e dirijo-me a porta do tal hotel – bem decadente (para não dizer …). Ao bater na porta, abre-se a janelinha superior. Um fedor de cigarro vem em minha direção, e o rosto de uma mulher mal encarada e com cara de sono me atende. Não foi muito simpática, confirmando positivamente a disponibilidade de vaga a R$30. Resolvo ficar e pago no ato.

Num devaneio qualquer, aceito conscientemente a estada no hotelzinho “rústico”, pela inesperada observação do trânsito de belas amazonas, em belos cavalos, passando em frente. Não estava nem bêbado, muito menos drogado.

O ambiente todo fede a cigarro. Tomo algumas notas no quarto, aplico pomada nas feridas dos pés e coloco-me a caminhar fotografando a cidade. Vários casarios e igrejas interessantes. Passo em frente à Lira Ceciliana, uma casa agremiação de músicos com 157 anos de existência, produzindo cultura.

Ao perambular, vejo outra beldade a sair de bicicleta, possivelmente rumo a academia de ginástica. Cada dia intensifico o meu gostar por Minas Gerais. Descubro duas padarias para me suprir de um pequeno lanche e muito café. Depois de algumas horas de vadiagem, com sobe ladeira e desce ladeira, resolvo procurar um local para jantar. O sol já tinha ido embora. O único lugar para refeições noturnas era uma lanchonete e pizzaria. Comida, comida de verdade não há. Só pizza e sanduíche. É o que temos para hoje!

Sinceramente gostei muito da cidade de Prados, valendo assim a escolha não planejada do pernoite. Há uma riqueza arquitetônica nos casarios e igrejas de criar inveja a outras cidades que passei. Porém, ela não está preparada para o turismo. Posso até exagerar um pouco: nas devidas proporções, no contexto histórico e arquitetônico, a cidade não fica muito díspar de Tiradentes. Creio que falta um bem querer político do Governo Municipal para que a sede do município cresça no turismo. Falta infraestrutura básica para os mesmos. Volto para o abrigo e coloco-me a dormir com a própria calça da caminhada.

32o dia

Caminho Velho
02/outubro/2014
24,78 km percorridos
Localidades
img_2828 Clique para ampliar

Downloads
KML GPX

Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Minhas refeições

  • Grotão Restaurante

Selfies e pessoas que encontrei

  • Rumo a Prados
  • Com medo…

Galeria no Panoramio


Fotografias