Dia 31

Dia 31: Casa Grande – Catauá – Lagoa Dourada

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 01/12/2015
Modificado pela última vez em 11/04/2016 às 22:48

Acordo cedo para organizar-me. Recolho as roupas no varal, guardo os cabos de energia dos eletrônicos e vou tomar café da manhã. Proseamos igualmente ao dia anterior. Mesmo acordando cedo, acabei me enrolando para organizar tudo e pegar a estrada.

Parto às 7h30. Trecho com muita poeira para castigar. A região é agrícola, com pequenas lavouras. Entro na pequena comunidade de Catauá, na qual muitos desviam. A capela é dedicada a Santo Antônio de Pádua. Não há outros atrativos e nem casas coloniais conservadas. Tiro foto de um antigo trator e paro para comprar um suco de laranja industrializado. À sombra de uma árvore na praça, sento e faço um lanche.

Sigo o caminho sem perder mais tempo. Não há mudança no cenário. Entro na área urbana de Lagoa Dourada e busco a Pousada das Vertentes, onde também é possível carimbar o passaporte. Pego algumas informações e encontro o local. Quem me atende, com muita simpatia, é a Dona Ilda, proprietária.

Antes de adentrar ao quarto eu solicito o carimbo do passaporte. Observo que na pasta das fichas de controle do Instituto Estrada Real estava o adesivo de identificação. Comentei com ela que seria interessante colar no vidro externo da pousada, haja visto a existência de vários adesivos de brasões e insígnias de clubes de motociclistas.

Nesse momento, percebo que na sala de entrada há uma porta a esquerda na qual sinto a presença de alguém. Após mais uma estampa, efetuo assim o pagamento da estada e sigo para o dormitório. Antes do banho pergunto se há possibilidade do uso do tanque. Ela confirmou. O quarto é enorme com três camas, um pé direito enorme, janelas de altura suficiente para serem portas. Assoalho de tábuas, denunciando o caminhar dos indivíduos. Tomo um bom banho e coloco-me a lavar roupas. Sou apresentado ao filho dela, um headbanger típico e dono de um bar anexo ao hotel. Fantasias de bares temáticos existentes em cidades grandes, no qual, no interior infelizmente não faz muito sucesso.

Após as obrigações, hora da vadiagem. Antes, tomo a decisão de aliviar um peso morto da minha mochila. Despacho para João Pessoa a minha barraca bivot. Estava com ela para possíveis emergências. Até agora, não estava tendo problemas com hospedagem e o clima. Destino-me à agência dos Correios e adeus peso morto!

Andando pela cidade descubro que a mesma é a terra dos rocamboles. Obviamente experimento um com café. Observo a Igreja do Rosário e próximo à pousada, há a Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua; também um conjunto de casarões coloniais chamam minha atenção para o registro fotográfico.

Eis que resolvo realizar o inusitado: cortar o cabelo. Queria chegar cabeludo no meu destino final, mas eles estavam atrapalhando com a alça da mochila. Sentia um pouco a situação das mulheres, que sofrem escalpelamento, na transmissão das embarcações amazônicas.

No caminho entre o centrinho e a pousada havia um barbeiro, porém fechado. Ligo para o telefone e caixa postal. Volto para a pousada e tenho algumas outras indicações. Em resumo, cinco lugares diferentes para conseguir cortar. O universo estava dizendo para não fazer isso. Encontrei o Virgílio, no qual fiz o corte. Particularmente não gosto de me ver com o cabelo curto, muito menos recém-cortado. Bato um papo com ele, brincando que estava difícil conseguir um “cortador”. Olhe que o mesmo me encaixou entre dois clientes! Comento com ele sobre a viagem pela Estrada Real. Ele me pergunta se estava gostando de Minas Gerais. Exponho minas percepções.

No retorno a pousada, começa uma forte chuva. Lembro-me das roupas no varal e saio em disparada. Molharam, mas sem ensopar. Recolho e estendo-as num pequeno varal interno.

O casarão da pousada foi um antigo colégio de freiras. Vale a pena a hospedagem pela viagem histórica dentro dos diferentes ambientes. Descubro que a minha percepção de quando pisei a primeira vez na pousada estava correta. Havia sim uma outra pessoa no ambiente lateral: era o marido da Dona Ilda que estava inabilitado de caminhar devido a um AVC. Ex-funcionário da Vale, como técnico de Segurança do Trabalho, não soube mensurar os riscos a própria saúde, devido ao cigarro. E o que é o pior. Não tinha largado o vício.

Ao andar, observei uma foto do casal proprietário quando novos. Hoje os vi dessa maneira. A vida é cruel? Ou as pessoas tornam-na cruel? O tempo é revelador das verdades; é curador das dores; é a nossa própria escravidão da vivência.

A minha última saída foi para buscar um local para jantar. Indicação num posto de gasolina. Necessidade do “boi” saciada.

Retorno para dormir. Sinto-me pequeno no quarto. Boa noite!

31o dia

Caminho Velho
01/outubro/2014
29,00 km percorridos
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Minhas refeições

  • O Famoso Rocambole

Meu pernoite

  • Pousada das Vertentes

Selfies e pessoas que encontrei

  • Virgílio
  • Cabelo curto
  • Dona Ilda
  • Anti pó!

Referências Bibliográficas

  • TOMPAKOW, R. & WEIL, P. (2009). O corpo fala - A linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. 69a Edição. Editora Vozes, 2009

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