Dia 30

Dia 30: Entre Rios de Minas – Serra do Camapuã – Casa Grande

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 30/11/2015
Modificado pela última vez em 11/04/2016 às 22:46

Acordo na expectativa de um bom dia de caminhada. Tomo meu café, encho os cantis com água e guardo o sanduíche.

A partida de Entre Rios de Minas coincide com a abertura do comércio local. Caminho por um pequeno trecho da BR-383 e acesso uma via não pavimentada. Estar na estrada novamente, com baterias recarregadas e menos dores, é ótimo.

Para melhorar a performance, vista rural em estrada batida sem tráfego. Avisto um haras. Passo por uma grande reta com eucaliptos plantados, tendo um pouco da umidade noturna. Um pouco mais a frente, avisto um homem caminhando. Acabo por alcançá-lo e pergunto a ele se estava tudo bem, pois tinha parado. Era um fazendeiro da região, a caminhar com seus cães. Os animais todos felizes pela terra molhada. Em período de estiagem, qualquer garoa fazem os seres vivos vibrarem.

Pego algumas subidas fortes e extensas, mas todas tranquilas para completá-las sem precisar parar para recuperar o fôlego.

Encontro no caminho a Capela de Santo Antônio. Faço uma parada para lanche e pausa. Sigo o caminho e em alguns quilômetros, ao meu lado esquerdo, encontro a Capela Olhos d’Água, do século XVII. Algumas fotos e sigo em frente.

Em aproximadamente 5km, chego na comunidade de Serra do Camapuã. Resolvo sentar à sombra de um belo flamboyant florido em frente ao centro comunitário. Observo o vai e vem das crianças e jovens a esperar o ônibus escolar. Uma preguiça surreal me domina e quase durmo deitado no banco.

Percebo ao longe o barulho de trovões. Olho para o rumo que deveria seguir e o céu está cinza e carregado. Tenho um longo caminho e não quero pegar chuva. Peguei água em uma casa da comunidade e acelero o passo. Ainda teria aproximadamente uns 10km para fazer. Caminho tenso, fugindo da chuva. Até esse momento não tinha pego chuva. Contudo, o céu fecha e começam alguns pingos. Verifico o receptor GPS e faltam ainda 1600m. Acelero o passo. Não tinha receio pela água, mas estava com preguiça em tirar as capas de chuva para a mochila e para mim. O maior inconveniente é secar as botas. Na medida que acelero o passo, as gotas engrossam. Freneticamente fico olhando o receptor GPS. 1400m, coloco a capa na mochila, 1200m, 700m, 500m e a área urbana. Não escapo de me molhar um pouco.

Entro em uma mercearia, molhado na camisa e suado no rosto. Tiro mochila e chapéu. Acabo proseando com a dona e uma cliente. De quebra, três latinhas de suco “Del suco artificial” e uma broa de fubá. Pergunto pela Pousada da Dona Irene e ela me explica que fica ao lado. Pago a conta, me despeço e sigo para a pousada. Pego o quarto, tomo banho, lavo roupa e o jantar seria servido no mesmo local.

Um cão sapeca ficava a pular na minha bermuda enquanto estendia a roupa. Após a rotina de tarefas, resolvo curtir as últimas horas de claridade para explorar o pequeno município. Com a máquina fotográfica em punhos saio à rua. Não há muitos casarios históricos. A igreja também é nova. Todos me observam com curiosidade e desconfiança. Passo por três garotas que estavam a caminhar e ouço o seguinte:

“Deve ser gringo!”

Respondo de modo ríspido:

“Sou brasileiro, oras!”.

Conversamos um pouco. Antes de retornar à pousada, paro para comer um salgado em um bar em frente a pousada. Provei um bom pastel de frango e a dona não era ela e sim ele. Conversamos sobre a minha viagem. A pessoa toda atenciosa comigo. Por que será? Muitos risos contidos!

Volto para o quarto e preparo-me para o jantar. Percebi que havia outros hóspedes. Dois caminhoneiros e um produtor de feijão. Batemos o maior papo à mesa, estando o Sr. José, marido da Dona Irene.

Após o jantar, demos uma pequena caminhada na rua e descobrimos que a cidade é extremamente bem servida de professora.

Fui dormir.

30o dia

Caminho Velho
30/setembro/2014
32,31 km percorridos
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