Dia 3

Dia 3: Serro

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 27/11/2015
Modificado pela última vez em 04/01/2016 às 19:46

Acordo com o corpo dolorido. Faço curativos para as bolhas nos pés e constato os dedos inchados. Creio que em breve irei perder unhas. Para hoje o calçado será chinelos. Terei que me adaptar a caminhar com eles na irregularidade dos calçamentos de pé-de-moleque.

Hoje tenho algumas obrigações necessárias a serem resolvidas nas primeiras horas. Passar nos Correios para encaminhar uma caixa com alguns folders e mais equipamentos desnecessários à João Pessoa. Também encaminho outra caixa contendo barras de proteína para Mariana. Não precisaria levar uma grande quantidade, pois seria consumida posteriormente. Depois retorno ao hotel para lavar roupas e manter a ordem no vestuário.

Após, sigo com a exploração da cidade de Serro. Um city tour, com visita à Casa do Barão de Serro e à Igreja do Carmo, muito bela por sinal. Estava bestificado com a cidade. O conjunto de casarios, as igrejas, as pedras das calçadas. Depois de sair da Casa do Barão pus-me a tentar visitar o Museu Casa dos Otonis.

Ou ao menos tentar, pois, ao chegar no local tomei conhecimento que faltam uns 20 minutos para a abertura do museu. Acabei aguardando em frente a uma casa antiga. Não quero caminhar em demasia pela cidade, pois de chinelos e com os pés machucados, tudo tende a piorar.

Encosto-me na calçada, que é bem elevada em relação à via, quase um muro. Em poucos minutos, sou abordado por um rapaz com um saco de pão nas mãos. Morador de uma das casas geminadas, me convidou para entrar e tomar um café.

Achei extremamente inusitado. Por fim, uma segunda loucura veio a acontecer no terceiro dia de Estrada Real. Com o Paulo, fiquei a conversar das 11h45 as 17h30. O tema é surreal: Iluminatis, Maçonaria, ideias de extrema direita, homofobia e antissemitismo para os povos árabes.

Não consigo concluir se ele é evangélico ou membro de uma Opus Dei. Papo bom e ruim, levando em conta o criacionismo e a babaquice bíblica. Apesar de tudo, há um ponto positivo da conversa. Depois de todo o papo de teorias da conspiração, apocalipse e nova era mundial, o questionei:

“Qual seria a melhor solução para fugir dos Iluminatis e a Conspiração Universal?”

A resposta:

“Não desistir nunca e fazer o bem. Repassar a boa informação para as pessoas próximas e realizar um trabalho de formiguinha.”

Voltei para o hotel morrendo de fome, sem almoço. Tomo um banho e dirijo-me ao restaurante em frente à pousada para jantar. Durante a noite, passo a refletir e a rir da inusitada situação.

3o dia

Caminho dos Diamantes
03/setembro/2015
0 km percorridos
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Caminho dos Diamantes
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