Dia 26

Dia 26: Engenheiro Correa – Miguel Burnier – Lobo Leite – Congonhas

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 29/11/2015
Modificado pela última vez em 11/04/2016 às 22:02

Após o meu café da manhã, recolho as roupas no varal, arrumo a mochila e sigo meu rumo. A caminhada até Miguel Burnier foi tranquila. O triste foi vê-la. Esse distrito de Ouro Preto está destruído pela Gerdau. Ao longo da estrada, observa-se a torre da igreja e as estruturas dos transportadores contínuos da lavra. Praticamente, a igreja encontra-se dentro da “cerca” da lavra. Isto é, não tem como visitá-la, pois, está dentro da lavra da mineradora. Logo, logo ela virá por terra.

A memória e a história do Brasil não interessam. Vale o que exportamos para gerar lucros, impostos e sustentar todo o reinado de bufões tupiniquins.

Após passar rapidamente pela portaria, sendo zeloso para não ser atropelado por um caminhão, paro em um cruzeiro para fazer o lanche da manhã. Desse ponto tem-se uma vista mais cruel. À direita a lavra; em frente, as casas da vila que viraram hospedagem para os funcionários, caminhoneiros ou que sabe lá mais o quê.

Sigo agora pelo que foi o pior e mais arriscado trecho em toda a Estrada Real. Um tráfego insano de caminhões caçambeiros. Descobri, sentindo na pele, que todo esse minério de ferro era movimentado por caminhões até a usina da Gerdau, em Ouro Branco, possivelmente distando no máximo 25 a 30km. “Bestemo” e fico indignado como o sistema produtivo é ignorante. Ao invés de inserir um transportador contínuo. Claro que não. É muito mais barato contratar um monte de caminhoneiros no mercado para fazer um transporte besta e insustentável. Uma intervenção do Estado nisso. Ave. Pura ilusão.

Alguns caminhoneiros ao me avistar iam para a faixa do fluxo contrário. Outros, passavam rente e após me ultrapassar jogavam o caminhão bem próximo a sarjeta para levantar poeira dos agregados amontoados na lateral. Infelizmente, se essas pessoas prestassem para algo, não seriam o que são.

Tensão. Muita tensão. A via era larga e um caminhão pipa passava continuamente para molhar a pista e minimizar um pouco a poeira. Mas isso não diminuía o risco. Os planejadores da Estrada Real turística no mínimo passaram de Land Rover com ar condicionado aqui.

Após descer completamente a serra, avisto um pátio ferroviário da MRS e Vale. Fico excitado ao ver essa tecnologia de transporte. A estrada segue lindeira a uma barragem. Passo por baixo de uma grande ponte ferroviária e tenho a sorte de ver uma composição passando naquele momento. Isso sim é engenharia! São os últimos quilômetros tensos até chegar em Lobo Leite, distrito de Congonhas.

Esse lugar foi outra surpresa admirável. Parei em um restaurante para tomar uma jarra de suco de limão e um café. Uns abobados da Gerdau ficavam a me mirar. Será que alguém queria namorado? Procuraram o cara errado!

A arquitetura histórica está na Igreja de N. S. da Soledade, no campanário lateral a igreja, na antiga estação ferroviária e em algumas edificações. É pequena e charmosa.

Parto com destino à Congonhas, transpondo um rio e pegando uma subidinha não longa, porém chata. Passo por uma área com bastante sombra.

Certo momento em um trecho da estrada mais aberta, percebo o barulho meio forte de motores, quando vejo um grande grupo de jeepeiros e demais 4×4, da cidade paulista de Franca, também a percorrer a Estrada Real. Contabilizei em torno de 15 a 20 veículos. Converso com o primeiro por alguns minutos e espero toda a comitiva passar.

A poeira baixa e sigo o meu rumo. Estava cansado e tenso. Ao mesmo tempo contente em saber que estava aguentando bem o longo percurso. Encontro um menino na estrada a me perguntar se tinha visto uma égua branca. Falei que somente tinha cruzado com jeepeiros . Mais alguns poucos quilômetros começo ver a mancha urbana de Congonhas. Entro por um bairro periférico e caio na BR-040 congestionada. Tráfego lentíssimo devido a uma obra. Entro pela Av. Júlia Kubitscheck e logo encontro o local para o carimbo.

Esse foi o trecho mais longo sem um carimbo para o passaporte. Sigo em frente e me hospedo no Max Mazza Hotel. Na portaria da hospedagem, contabilizei 40km. Fiquei feliz pela capacidade de realizá-lo. Check-in e dirijo-me ao quarto.

Não foi um lugar dos mais baratos, mas sem condições em buscar outro. Corpo dolorido e as meias fundiram-se com a pele. Tomo um banho demorado. Ainda tinha um pouco de claridade. Não consegui lavar roupas, pois a lavanderia estava fechada e a dona do hotel não quis cooperar muito. Aproveito então para dar uma volta na cidade. A parte central da cidade tem a prefeitura e complexo da Praça Dom Silvério, com a Igreja Matriz N. S. da Conceição e um quadrilátero de casas antigas. Até uma delas, lembro-me que há muitos anos atrás era um hostel. Hoje é uma pousada, cuja tarifa foi mais cara que o Max Mazza Hotel.

Deixo os profetas para o dia seguinte, pois estava no itinerário da saída. Tinha ouvido que Congonhas seria cidade para um dia só. Concluo que não. Uns dois dias daria para tentar explorar mais outras visitas.

Visito o supermercado para comprar frutas. Retorno ao hotel e busco uma informação sobre restaurante. Quando saio para ir a um próximo, inicia-se uma pequena garoa. Paro em um restaurante italiano. Como em demasia um prato de macarrão. Exagerei feio.

Volto para o hotel quase que rolando. Durmo bem.

26o dia

Caminho Velho
26/setembro/2014
40,01 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Meu pernoite

  • Pousada, Bar e Restaurante Porão Casa Velha
  • Max Mazza Hotel

Coisas interessantes que vi


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