Dia 24

Dia 24: São Bartolomeu – Glaura – Cachoeira do Campo – Santo Antônio do Leite

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 29/11/2015
Modificado pela última vez em 04/01/2016 às 20:08

Meu café da manhã estava ótimo, com mamão, melão, pão de queijo, bolo de laranja, queijo minas e suco de laranja. Arrumo o restante da mochila e sigo viagem.

Parto rumo a Santo Antônio do Leite. Ouvi falar tanto desse local. Dizem ser muito procurado por turismo rural por ser próximo de Belo Horizonte. Por consequência, os preços também dizem ser salgados.

Antes de Glaura, acabo me distraindo na navegação via receptor GPS e erro o caminho. Vi placas indicando Cachoeira do Campo e mantive o trajeto. Se não percebesse, não passaria em Glaura. E, para ser sincero, vale a pena passar por lá.

Obviamente que os atrativos do local são as construções históricas e a igreja. Nos marcos da Estrada Real há placas informativas – quando não roubadas ou depredadas – que contam fragmentos históricos do local.

Pelo que observei, estou entrando em uma região primordialmente produtora de alimentos para as cidades de exploração de riquezas minerais. Lembro-me do Museu do Tropeiro. O movimento tropeirista teve grande importância não só no transporte da riqueza furtada para os portugueses e “litorâneos corteses”, como também no transporte de alimentos. Diz a lenda que era fácil encontrar garimpeiros brevemente enriquecidos com pedras e ouro, no qual passavam fome. Tanto minérios e alimentos eram motivos para emboscadas e furtos. Não mudou nada até os dias de hoje.

Correção do caminho feito para Glaura. Transponho uma área tipicamente rural. Observo em uma propriedade uma jovem mulher trabalhando com hortaliças. Há coisa mais libidinosa do que o amor feito à natureza? Aquieto meus devaneios do pensar e foco na trilha.

Pelo caminho, na minha linha de visão, muitas voçorocas (erosões) causadas por uso desordenado do solo. Grandes feridas.

Chego em Glaura e de cara saio em uma pequenina praça, com um cruzeiro da passagem e a Capela das Mercês. De quebra, para compor o ambiente, tinha um cavalo a pastar.

Subo por uma rua íngreme até chegar na parte central, onde está a Igreja de Santo Antônio.

Paro num bar em frente à igreja e tomo um suco de laranja industrializado. Como sempre, as pessoas nesses locais olham estranho como você fosse um ET ou um político corrupto (desculpe-me pela redundância).

Entrei na igreja para visita. No lado de fora, um ônibus com estudantes a lanchar. A igreja vale a passada. Ao sair e me direcionar para o outro lado da vila para fotos, os moleques mexeram comigo, curiosos. Aventureiro versus Marinheiro Popeye.

Após as fotos volto ao meu rumo. Por castigo, minha perna esquerda começou a doer violentamente. Por muitas vezes parei na beira da estrada. Fiquei preocupado e a dor não passava. Fui me arrastando até Cachoeira dos Campos.

Ao entrar na área urbanizada do distrito, demoro para encontrar um bar. Até que enfim encontro o Bar do Paulinho. Consumo três latinhas de “Del suco artificial” de maracujá. Tiro as botas e ergo a perna esquerda. Preocupado com a dor, que aliviou um pouco, mas não cessou.

Fico parado por uma hora. Parto de lá rumo ao centro e tenho uma bela surpresa. O distrito possui um centrinho histórico, com igrejas, capelas e casarios. Trata-se de um distrito de Ouro Preto e por lá passa a BR-356. Tem vida própria: comércio de roupas, agropecuária, restaurantes, mecânica para caminhões e escola de inglês. Aparenta ser mais um município do que um distrito. Infelizmente, não tive oportunidades para explorar melhor o local.

A distância até Santo Antônio do Leite é curta, aproximadamente 9km, percorrendo MG-440 pavimentada e sem acostamento. Encontro uma vendinha antes da Capela de São José e paro para beber algo e buscar algumas informações. Conheço o proprietário – Márcio. Conversamos sobre a minha viagem, economia e política. Gostaria de encontrar alguém para conversar sobre bruxaria e vida após a morte! O Márcio me acalmou, informando que a vila se encontra próxima. Me repassou o contato do Sr. Alexandre Negreiros, da Pousada Villa Mariana.

Conversa muito boa. Despeço-me e sigo o rumo. Passo pela Capela de São José e logo em seguida entro à direita. Pego informações em dois lugares até encontrar a pousada. Chegando lá, uma adolescente me recebe e chama pelo Sr. Alexandre. Infelizmente de cara tive uma péssima notícia. Toda a pousada estava reservada para um encontro familiar que começaria no dia seguinte. Eu estava cansado e com dor. Fiquei irritado também. Expliquei minha situação e que seria somente uma noite. Aqui, descobri com o Sr. Alexandre, bons valores de um ser humano. Ele acabou por ceder um dos quartos que estavam reservados. Explicou que, como é uma pousada que aos poucos ele vem montando, não teria café da manhã.

A pousadinha é ajeitada. Quartos padrão flat, com fogão, geladeira e utensílios para cozinhar. Tem uma bela capela e um zelo total oriundo das mãos do dono. O valor ficou a R$50. Tomei banho, lavei somente os Ecoheads, pois a área de lavanderia estava meio empoeirada. Pedi informações sobre um local para jantar. Ele me explicou que o único restaurante – do Sr. Mauro – é meio longe da pousada (1,5km), mas eles entregariam “marmitex”.

O Alexandre me passou o telefone fixo. Ligo. O filho dele atende e repassa um móvel, no qual não atende. Fiquei meio preocupado e resolvi ir até o centrinho, mesmo cansado. Melhor aguentar a dor dos pés caminhando de chinelo a não comer uma comida de verdade.

No caminho para o centro, paro em uma lanchonete/padaria. Não havia nada para comer, somente venda de pão. Em frente, chegando na rua principal, encontro uma padaria que é da família do Sr. Mauro. Fico lá para um café e como alguns biscoitos de fubá recém-feitos. Proseio um pouco com o rapaz que tinha me atendido ao telefone. Uma figura. Dou uma volta pelo local para tirar as fotos.

Foi bem menos interessante que São Bartolomeu. Praticamente não gostei muito da comunidade. Literalmente não tem atrativos na área urbanizada. Não entendi a dinâmica da existência de tantas pousadas. Fico em dúvida perante os atrativos naturais da região. Será que há artesanato? Lugarejo meio feio e espacialmente espalhado.

Retorno à padaria e tomo mais um café. Resolvo ficar por aqui mesmo.

Com a chegada do Sr. Mauro à padaria, fomos ao restaurante. Lá esperei pelo “prato-feito”. Muito bom.

Para ir embora, consegui uma carona com o Sr. Mauro, pois ele tinha algumas marmitas a serem entregues para os lados da pousada.

Chego no quarto, escovo os dentes e capoto na cama.

24o dia

Caminho Velho
24/setembro/2014
29,51 km percorridos
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