Chegando em Mariana

Dia 18: Camargos – Mariana

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 27/11/2015
Modificado pela última vez em 04/01/2016 às 20:01

Acordo destruído.

Observo cada pedaço da pousada e vejo zelo em tudo. Colchas coloridas nas camas, crochês como detalhes, uma moldura com uma foto e uma carta de agradecimento perante a hospitalidade, escrita pelos primeiros hóspedes da pousada, grama bem cortada e flores nos canteiros do jardim. Por falar em flores, há roseiras. E de diferentes cores. Ele me mostra uma branca que chegou a florir 16 botões. As roseiras estão conforme eu gosto: plantadas e não em buquês. Mirando-as, lembrei muito do meu pai e as suas roseiras. Um forte sentimento me envolveu.

Sento à mesa e encaro o café da manhã. Ganho como presente um convite do Sr. Dario: visitar a Igreja de N.S. da Conceição.

Edificada em 1707, encontra-se fechada para restauro do IPHAN. Problemas no telhado de uma das torres, infiltrações, rede elétrica e obras sacras guardadas, outras saqueadas. Ele me mostra a luminária que funcionavam à querosene. As escadarias externas de pedra sabão perfeitamente recortadas para o encaixe. Bela oportunidade, quando se conhece quem tem a chave da porta principal.

Tenho uma boa impressão desse homem. Trocamos contatos e prometi o envio de uma documentação técnica de instalação de aquecedor de água solar. Agradeço por tudo e dou início a minha viagem para Mariana.

Pelo caminho, visões mais constantes da destruição das mineradoras. Caminho ermo sem moradores lindeiros. A certa altura do trajeto, encontro uma entradinha de uma trilha. Adentro-me e paro a alguns metros da via principal para o meu almoço. Volto ao caminho. As montanhas que acalmam. Falam tanto do mar. Mas essas montanhas…

Mais alguns quilômetros de caminhada e começo a observar os primeiros sinais da mancha urbana de Mariana, após passar por barragem de resíduos minerais. Fico em êxtase ao lembrar do percurso até aqui. Menos de 15km me separam de Ouro Preto e o Caminho dos Diamantes estará concluído.

Comida, bebida e emoções foram os combustíveis até aqui. A baixa velocidade da caminhada faz-nos perceber um mundo imperceptível estando de motor. Tenho a missão de encontrar os Correios, para pegar a minha caixa de whey protein que despachei de Serro, e o meu velho par de óculos sem plaquetas, enviado pelo meu pai, de Santa Catarina.

Entro na cidade e há muito trânsito e pessoas. Conjuntos habitacionais, casas emendadas, o caos básico de qualquer cidade maior. Passo pela estação de trem. Nesse caminho, percebi a movimentação de um boteco simples de rua, que me chamou a atenção. Mal sabia eu o que me esperava. Sigo sentido centro e, próximo a um local doravante denominado terminal central de ônibus, encontrei a agência dos Correios. Chamo a atenção dos funcionários, que reparam em minha vestimenta de caminhante, chapéu de aba larga, bastão de apoio, mochila nas costas, barba e cabelos longos. Ao chegar a minha vez do atendimento, identifiquei que tinha duas encomendas para retirar com eles. Logo uma outra pessoa, possivelmente o gerente da agência, veio sorrindo ao meu encontro. Conversamos um pouco. Ficaram admirados do itinerário de minha caminhada. Retirei as minhas caixas e fui embora.

Percebi que para chegar ao centro histórico somente necessitava atravessar uma ponte. Essa ponte funcionou como um portal para o retorno a um passado bem remoto. As construções modificaram totalmente para o estilo colonial. Fico um pouco perdido buscando informações para o possível local de hospedagem. Pego a Rua Direita e sigo para a Igreja da Sé. Virar à direita. Essa era a indicação para encontrar o Hotel Central. Um hotelzinho velho, antigo, “moquifão”, porém barato. Para descansar bem os meus pés e descobrir bem a cidade, resolvi ficar por três pernoites.

Não é a minha primeira vez em Mariana. Mas meu conhecimento era superficial e minha memória da cidade, nula. Assim, tiro um bom tempo para cicatrizar os meus pés e tentar conhecer bem a história da cidade. Não consegui lavar roupas. Teria que providenciar uma lavanderia. Tomo o meu banho. Quarto com duas camas. Muito bem localizado e para melhorar, uma cafeteria a menos de 100m.

Descubro que no final de semana iria rolar o Iron Biker 2014. Fico entusiasmado em curtir a agitação da prova. Ver toda a bagunça envolvida. Na quinta-feira, algumas estruturas começam a ser alocadas na praça e no caminho do circuito da prova. Estrutura de palco e pódio. Tendas para os patrocinadores. Grades para proteção de pedestre.

Após um banho, busco um local para jantar. Mas antes disso, realizo uma pequena caminhada pela cidade. Degusto alguns cafés e observo o movimento das pessoas. Tento passar o maior tempo possível na rua, pois não há o que fazer no quarto.

Meus pés não estão nada bonitos. A vadiagem começa a ser desestruturada pelo cansaço. Durante a ingestão da cafeína, estudei o mapa turístico da cidade. Amanhã terei que resolver o problema doméstico das roupas.

Volto para o hotel e entro no reino de Morfeu.

18o dia

Caminho dos Diamantes
18/setembro/2014
20,17 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

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Caminho dos Diamantes
Caminho Velho


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Minhas refeições

  • Bar do Carlão
  • Ponto Certo
  • Chantilly Confeitaria

Meu pernoite

  • Pousada do Sr. Dario – Camargos
  • Hotel Central

Coisas interessantes que vi


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