Dia 14

Dia 14: Cocais – Barão de Cocais – Santa Bárbara

Por Rafael José Rorato
Adicionado ao site em 27/11/2015
Modificado pela última vez em 04/01/2016 às 19:57

Acordo umas 7h e às 7h30 fui tomar café. Nesse horário, o honorável corredor-caminhante já estava na estrada. O mesmo comentou para mim que prefere sistematicamente iniciar as caminhadas diárias sempre pelas 5h, com o objetivo de não pegar tanto sol.

Praticamente, eu caminho de manga longa, camisas e calças. Ecoheads para tampar as mãos e outro no pescoço. E o meu chapéu de aba larga de Cabaceiras (PB). O Sr. Alessandro, de bermuda e camiseta manga curta. E muito protetor solar. Eu não confio cegamente nesses cremes.

O café da manhã foi servido lentamente. As opções do que comer estavam muito boas. Acabo por me empanturrar. O café foi servido no salão onde ocorreu o sarau. Estava quase todo organizado. O Sr. Everton e algumas funcionárias trabalharam até tarde.

Acabo fugindo à regra, sendo mais flexível com as oportunidades que o destino oferece. Acabei ficando de conversa com o Sr. Everton até as 10h15. Ele foi padre e largou a batina. Formou-se em jornalismo. Empreendedor. Montou a pousada, mas não constituiu família. Tinha a ideia de trabalhar com reabilitação de dependentes químicos, mas não teve muito apoio “governamental”. É uma pessoa que acredita que as pequenas ações, podem mudar toda uma nação. Literalmente, o nosso trabalho tem que ser pontual mesmo, beneficiando assim pessoas inseridas no entorno do nosso buffer de ação. Esperar por governos, partidos, sindicatos, políticos, igrejas, sociedades secretas, empresários, proletariado? Esqueça.

A conversa foi muito boa. Um astral muito bom. Ótima história de vida. Ainda hei de voltar por lá. Principalmente sabendo que o Caminho de Sabarabuçu inicia ou termina lá. Acabei reencontrando o casal baiano no café. Tiro uma foto com todos, me despeço e sigo para a estrada.

Antes, no caminho visito a Igreja do Rosário. Anjos e Santos negros. Muito bela a igreja. Parto e Cocais fica para trás. Uma boa subida de cara e cruzo com um peão sob seu cavalo. Nos cumprimentamos e logo depois dois carros passam por mim levantando poeira. Esse caminho leva para o Sítio Arqueológico Pedra Pintada. Passo em frente, mas sem tempo para visitá-lo.

Esse início foi engraçado. Por duas vezes me confundi na navegação com o receptor GPS. Pego um trecho bem nervoso de reflorestamento de eucaliptos: subidas, mudança do viário, terra desagregada pelo tráfego de caminhões e tratores esteira – poeira. Avisto uma grande montanha – Serra da Cambota – e a cidade de Barão de Cocais. Ao longe, aparenta ser uma cidade interessante. Só de longe!

Início uma longa descida e ao fundo avisto uma grande ponte ferroviária. Consigo ouvir uma composição ferroviária passando. Entro na cidade e uma fábrica da Gerdau faz parte do contexto urbano. Busquei informações por lá e não sabiam de nada. Creio que nem sabiam qual era a capital de Minas Gerais. Não preciso dizer mais nada. Cair fora de lá o mais rápido possível.

Saio da MG-129 e entro novamente na estrada de chão após passar um conjunto habitacional popular. Passam alguns carros no sentido contrário. Após, avisto um menino andando de bicicleta. Ele me alerta:

“Moço, aí pra frente você vai encontrar o louco dos cachorros. Não mexa com os cachorros dele, que ele corre atrás com a foice!”

Segui o rumo e passei pela casa do ermitão. Felizmente, nem os cachorros latiram. Fui embora. Esse caminho passa nas proximidades da Represa do Peti e avisto placas de terrenos em condomínios a venda. Logo cruzo uma ponte com um marco da Estrada Real bem visível. Avisto a mancha urbana da cidade de Santa Bárbara. Próximo a uma pequena galeria fluvial, vejo uma cena dantesca: um VW Passat velho, caindo aos pedaços. Um dos ocupantes pega um enorme saco de lixo e joga na galeria: eita “Pátria Educadora!!”. Nessas horas é difícil controlar a revolta.

Chego destruído em Santa Bárbara. Começo a avistar alguns casarios antigos e me deparo com o Casa do Mel às 16h55. Olho a placa e o museu fecha às 17h. O atendente foi gentil e me guiou rapidamente. A cidade tem fama pelo bom mel. Pergunto dicas sobre hospedagem. Ele comentou do Hotel Quadrado, porém é caro. Indicou o Hotel e Restaurante Karaíba. Também questiono se ele sabia da existência de alguma locadora de veículos na cidade. Comentou que sim. Agradeço e sigo para o hotel.

Chego ao estabelecimento e gosto do local. Também consigo lavar roupas. Faço um lanche rápido e dou uma descansada. Desço e janto. Volto para o quarto e durmo.

14o dia

Caminho dos Diamantes
14/setembro/2014
30,64 km percorridos
Localidades
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Todos os trechos

Acesse abaixo todos os trechos que já percorri na Estrada Real.

Caminho dos Diamantes
Caminho Velho

Minhas refeições

  • Hotel e Restaurante Karaíba

Meu pernoite

  • Hotel e Restaurante Karaíba

Coisas interessantes que vi

  • Construir um forno de barro

Selfies e pessoas que encontrei

  • Povo em Cocais

Galeria no Panoramio


Fotografias