Sobre

Quem Sou

Musical; glutão para novos sabores; ex-vegetariano; verde; Iansã; curiosidade pela psicologia, antropologia e história; Santa Catarina; cosmopolita-urbano; montanhas; admirador da natureza;

Italo-polonês por descendência; detesto futebol; admirador do bom e do belo; analítico; desbravador de geografias; buritis; muita conversa; rural-minimalista;

O Louco; viciado em café; Minas Gerais; observador; planejador; São Paulo; doei minha TV; ascendente em Virgem; brasileiro;

Engenheiro de Transportes; curioso pelos Malucos de BR; canceriano; Oxum; ignorante no Marte; alaranjando; neófito na arte da cachaça; geotecnologias;

Inquieto; gatos e cães; rios; Exu; água; Pernambuco; inveja dos que largam a "vida padrão" para seguir pelo mundo; cachoeiras; Xangô; cerrado;

Alguns me chamam de anarquista; piloto de fogão; vermelho; livros e mais livros; araucárias; adotei a barba no meu visual em 2005.

Motivação

Creio que a motivação para a escolha dos caminhos da Estrada Real não se resume a uma resposta isolada. Ou tão somente um fator. Ou um modismo.

Posso dizer que vários eventos vividos formaram essa escolha dos caminhos históricos. Uma consolidação de opinião. Aqui venho a citar alguns fatos que instigaram a escolha:

a) Demanda reprimida oriunda da convivência com alguns colegas de graduação em Engenharia Civil que praticavam montanhismo e cicloturismo, em Curitiba (1995/99).

b) Pedais, treinos e longas conversas com meu grande amigo Marcelo Bento e demais parceiros de trilhas de montain bike em São Carlos, SP (2000/02).

c) Convivência e rica troca de informações com alguns cicloativistas – mesmo em poucas horas semanais – nos pedais do Night Bikers, organizados pela Renata Falzoni (2003/06).

d) A trabalheira em tentar explicar para uma moradora de Hertogenbosch que aproximadamente 5h de voo separam o Rio de Janeiro a Manaus, isto é, o quão grande e diverso é o Brasil. Nessa época me questionei: estou a conhecer a Holanda e nem conheço Manaus, muito menos o Amazonas! (2004).

e) Das conversas com meu grande amigo concordiense Rodrigo Zuchello, sobre o pai dele, montanhista com muita experiência em escaladas mundo a fora. Para mim, um grande exemplo de esportista amador anônimo. Dessas inúmeras conversas, tive uma em especial, com apoio para planejar a minha escalada do Monte Roraima em Santa Elena de Uairén (Venezuela, 2011).

f) As ótimas horas investidas na leitura dos livros do Amyr Klink, compartilhando suas epopeias a remo e vela, e principalmente ensinando valores de vida, família, coexistência com a natureza, planejamento e execução.

g) Minha cicloviagem na Europa, em 2013, entre Copenhague (Dinamarca) a Munique (Alemanha) com meu amigo de Brasília – Cristóvão Naud.

Todos esses agrupamentos de fatores e pessoas envolvidas, me conduziram a não pensar somente no desafio físico e psicológico. Mas sim nas experiências humanas e culturais a serem exploradas no caminho. Basicamente eu mantenho vivo em mim, o espírito do cicloturista. Somente repassei para o trekking, hiking, promenade, ou longa caminhada, como queiram.

O Planejamento

Ao término do primeiro semestre de 2014, num processo misto de despedida de Brasília e muita exploração por Minas Gerais nos tempos de folga, resolvi tirar um período sabático. Bem, vamos lá. Muito mais comemorativo a sabático. Começo a me organizar e passar horas a fio num planejamento e num preparo físico baseado em corrida. O tempo e a energia gastos no trabalho e no mental somente possibilitavam essa atividade aeróbica com Pilates. Para mim seria a primeira experiência de uma longa caminhada. E de cara, encarar 1200km. Tinha meus planos de salvaguarda. Na pior das hipóteses, voltaria para casa. Tinha o tempo ao meu favor.

Durante a caminhada pelo Caminho dos Diamantes e o Caminho Velho. Muitos me perguntaram: Por que não realizastes o Caminho de Santiago de Compostela? Praticamente respondia o seguinte:

“Sinto ser de grande valia explorar esses caminhos da Estrada Real para: (a) explorar turisticamente as históricas cidades mineiras e a beleza cênica das montanhas e áreas rurais; (b) na medida do possível, provar os sabores dos queijos e comidas da roça; (c) conhecer um Brasil desconhecido a mim; (d) sentir na pele e na minha carne branca, um milésimo do sofrimento que os escravos negros passaram ao longo desses quilômetros, na exploração e no transporte de diamantes e ouro para o sustento de uma monarquia e corte lusitana; (e) seguir o meu coração e não o modismo alheio.

A autorreflexão, a meditação e uma conexão com espiritual pode ser realizada em qualquer caminho. E se o caminho for pouco movimentado, melhor ainda. Vencer uma longa distância somente usando os próprios recursos físicos (caminhada, bike, remada) ou naturais (gravidade, vento) é um prazer superior. Uma vitória superior. Sem concorrer com outras pessoas, ou atletas, em trocas de medalhas, camisetas ou “espelhinhos”.

Sabes leitor, quando tinha somente uma confirmação do meu acerto? Quando por vários lugares, conversando com pessoas estranhas, muitas comentavam:

“Gostaria de estar no seu lugar!”